Cristina Serra lança livro sobre tragédia ambiental em Maceió
‘Cidade Rachada’ expõe os impactos da mineração predatória em Alagoas, que afetou mais de 60 mil pessoas.

Douglas Lima
Editor
A jornalista Cristina Serra está no Amapá para o lançamento do livro Cidade Rachada, que expõe os impactos da mineração predatória em Maceió, tragédia que atingiu mais de 60 mil pessoas. Cumprindo agenda no estado, a autora participou do III Fórum de Direitos Humanos para a Imprensa, onde dialogou com com comunicadores e acadêmicos sobre o tema.
Em entrevista exclusiva ao programa LuizMeloEntrevista (Diário FM 90,9), Cristina falou, entre outros assuntos, sobre os casos que motivaram suas obras e o protagonismo ambiental do Brasil no cenário mundial, e de como o jornalismo tem o papel de conscientizar a sociedade acerca de pautas envolvendo o meio ambiente e os direitos humanos.
Autora de cinco livros, a jornalista paraense afirmou que se debruçou de vez no jornalismo ambiental após a tragédia de Mariana, em 2015. “O Brasil não aprendeu com esse caso; em 2019 tivemos Brumadinho, uma coisa absurda, quase trezentos mortos”, lamentou.
Acerca da temática de seu livro mais recente, Cristina explicou que o caso de Maceió aconteceu em 2018, mas só agora está sendo amplamente conhecido pelo público. Ela esclareceu que a atividade mineradora de sal-gema causou impactos diretos na infraestrutura do município, provocando o afundamento de bairros e rachaduras em muros e casas, além de desalojar milhares de pessoas.
“Escrevo sobre ambiente e direitos humanos porque essas coisas andam juntas”, esclareceu a comunicadora.
Ao analisar os dados que mostram o Amapá como um dos estados mais preservados do Brasil, a jornalista avaliou as políticas de proteção como uma decisão acertada e argumentou que o desenvolvimento econômico sustentável é possível.
“Não é fácil. A Amazônia tem alguns problemas com educação, saúde e logística, devemos cobrar melhorias. Precisamos de estradas na região, mas isso não pode significar um desmatamento desenfreado, tudo tem que vir acompanhado de de um licenciamento ambiental”, disse Serra.
Brasil no cenário mundial
Com 43 anos de carreira, Cristina Serra trabalhou como correspondente internacional em Nova York e, atualmente, faz parte do programa Brasil no Mundo. Com base em sua experiência, ela afirma que o país é visto mundialmente como uma liderança no Sul Global, servindo de referência sobre o meio ambiente para as grandes potências.
Por fim, ao falar sobre o jornalismo produzido na Amazônia, Cristina destacou que ainda há um olhar externo sobre a região, muitas vezes tratando o espaço de forma exótica.
“A Amazônia é um mundo, as pessoas de fora querem chegar aqui e nos ensinar, precisamos refletir sobre isso, precisamos falar daqui com honestidade, nosso papel como jornalistas é esse. Infelizmente, hoje em dia é mais comum dar opiniões do que produzir reportagens”, concluiu.
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