Mineração retoma espaço no Amapá com reativação de projetos e expectativa de novos investimentos
Especialista afirma que estado vive momento de retomada da atividade mineral e destaca importância estratégica da ferrovia, do porto e da geração de empregos

O engenheiro de produção e especialista em mineração Marcelo Velasquez afirmou que o Amapá vive um momento de retomada da atividade mineral, impulsionado pela reativação de empreendimentos em Pedra Branca do Amapari e pelo cenário favorável de investimentos no setor no Brasil. A avaliação foi feita nesta segunda-feira, 15, no programa ‘LuizMeloEntrevista’ (Diário FM 90.9).
Com mais de 20 anos de atuação na indústria mineral, Velasquez destacou que projetos como a Mina Tucano, de ouro, e a operação de minério de ferro da DEV Mineração voltaram a avançar após obtenção de licenças ambientais e operacionais.
Segundo ele, a Mina Tucano já retomou a produção e passa por uma fase de ampliação gradual da capacidade operacional. O especialista explicou que o aumento do preço internacional do ouro nos últimos anos tornou economicamente viáveis projetos que antes enfrentavam dificuldades para avançar. “A mineração gera emprego, renda, desenvolvimento local e regional, além de estimular fornecedores locais e a qualificação da mão de obra”, afirmou.
Ao comentar a situação da DEV Mineração, em Pedra Branca do Amapari, ele lembrou que o empreendimento possui papel estratégico para a logística mineral do estado por controlar a concessão da ferrovia e do terminal portuário utilizado para escoamento da produção. Velasquez tem uma ligação direta com a história recente da mineração amapaense. Foi justamente a implantação do projeto de minério de ferro em Pedra Branca que o trouxe ao estado, em 2010. Dois anos depois, participou da equipe responsável pela produção recorde de seis milhões de toneladas de minério de ferro, maior volume já registrado na atividade mineral do Amapá.
Também ressaltou a relevância histórica da exploração de manganês em Serra do Navio. Para ele, o empreendimento serviu de modelo para grandes projetos minerais implantados posteriormente na Amazônia, como os de Carajás, no Pará: “A mineração de manganês em Serra do Navio foi um dos primeiros projetos de grande sucesso na Amazônia e serviu de referência para diversos empreendimentos que vieram depois”.
Ainda existem reservas remanescentes de manganês na região e atividades ligadas ao aproveitamento de rejeitos minerais. Para ele, mudanças no mercado internacional podem tornar economicamente viáveis novas operações no futuro.
O especialista defendeu que o Amapá aproveite seu potencial geológico para voltar a ocupar posição de destaque no cenário mineral brasileiro: “O Amapá não pode deixar de lado sua vocação mineral. O desenvolvimento de vários municípios do interior nasceu da mineração. Agora precisamos transformar esse potencial em atividade mineral responsável, com logística competitiva, geração de emprego, renda e desenvolvimento para todo o estado”, concluiu.
De acordo com Velasquez, a indústria mineral brasileira projeta cerca de R$ 79 bilhões em investimentos nos próximos anos. A expectativa é de que o Amapá consiga atrair parte desses recursos e fortalecer sua participação no setor, atualmente liderado pelos estados do Pará e de Minas Gerais.
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