Nota 10

Contínua relação com o ciclo das águas e a natureza

População ribeirinha da Amazônia nasceu sob influência da aculturação dos povos indígenas em contato com o banco português, mas também com nordestinos em busca de trabalho nos seringais


 

Evandro Luiz
Da Redação

 

Embora estejam presentes em outros estados, os povos ribeirinhos da Amazônia representam a maioria desta população tradicional no Brasil. O surgimento da cultura ribeirinha (ou cabocla) tem sua origem na aculturação dos povos indígenas em contato com os portugueses (um período que vai de 1500 a 1850), e uma segunda fase marcada pelo extrativismo da borracha (que vai de 1850 a 1970), onde aos dois primeiros elementos somam-se os nordestinos, que emigraram em busca de trabalho nos seringais.

 

A população ribeirinha amazônica seria caracterizada por sua relação com o ciclo das águas e a natureza possuindo um extenso patrimônio cultural.

 

Tal como a denominamos hoje esta população surge a partir do século XIX, no Ciclo da Borracha, quando migrantes nordestinos se estabeleceram na Amazônia atraídos por promessas de bons salários, trabalhando nos seringais. Com o aumento da concorrência internacional à borracha produzida no Brasil, a partir da década de 1950 os seringueiros viram-se sem a sua principal fonte de renda. Sem políticas públicas que os apoiassem na desmobilização, começaram a se espalhar ao longo dos rios Negro e Amazonas, bem como seus afluentes.

 

Apenas no século XXI, o governo federal reconheceu a população ribeirinha dentro do conjunto mais amplo das populações tradicionais, ampliando o reconhecimento que já havia sido dado pela Constituição de 1988 aos indígenas e quilombolas.

 

Por dispor de amplo conhecimento prático sobre o ambiente amazônico, as comunidades ribeirinhas lançam mão dos recursos florestais para a sua alimentação e sobrevivência. A terra é usada de forma comunitária, e o controle dos recursos básicos é feito coletivamente; a propriedade privada circunscreve-se às casas e quintais de cada família.

 

Para sua subsistência, estas comunidades lançam mão da pesca (sendo que peixe é a principal fonte de proteína destas populações) e da produção agrícola em pequena escala, geralmente de mandioca, com eventuais excedentes sendo comercializados nas cidades próximas para obter bens industrializados.

 

Outras atividades econômicas com destaque nestas comunidades incluem a plantação de milho, a produção de farinha de mandioca, a coleta de castanha-do-pará e de açaí. Recentemente, algumas comunidades começaram a se utilizar do turismo de base comunitária como forma de obter renda de forma sustentável.

 

As comunidades ribeirinhas da Amazônia localizam-se às margens de rios e organizam suas moradias de forma adaptada aos ciclos de cheias e vazantes. Apesar dessa relação harmoniosa com o ambiente, essas populações enfrentam inúmeros desafios decorrentes da infraestrutura precária e das condições geográficas extremas da região. Tais fatores dificultam significativamente a implementação, o acesso e a continuidade dos serviços de saúde, comprometendo a atenção básica e a qualidade de vida local.

 


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