Quadrilha junina no Brasil começou com aristocratas
Hoje, brincadeira que em alguns lugares é coisa séria, é oficialmente uma manifestação da cultura popular do país

Evandro Luiz
Da Redação
A quadrilha junina desembarcou no Brasil com a corte portuguesa, no início do século XIX. Tem origem no quadrille, uma dança de salão composta por quatro casais, surgida em Paris no século XVIII e praticada pela elite da época. No Brasil, tornou-se popular inicialmente entre os aristocratas.
Com o passar do tempo, conquistou também as camadas populares e passou a incorporar elementos culturais, religiosos e folclóricos brasileiros. Nesse processo, o número de pares aumentou e os passos e ritmos franceses foram gradualmente substituídos por características nacionais. Além disso, o casamento caipira, que tradicionalmente antecede a dança, e as músicas típicas foram incorporados à apresentação.
Antes vista como uma brincadeira familiar restrita a pequenas comunidades, a quadrilha cresceu ao longo dos anos e, atualmente, promove grandes espetáculos que disputam torneios interestaduais.
Desde então, as quadrilhas adquiriram importância social, econômica e turística para diversos municípios brasileiros, sobretudo na Região Nordeste.
Em Campina Grande, na Paraíba, cidade famosa por promover uma das maiores festas de São João do Brasil, foi estabelecido mais um recorde. A dança reuniu 1.280 pares, garantindo o décimo título consecutivo de maior quadrilha junina do país.
Uma quadrilha é composta por pares que se organizam em um grande círculo para dançar ao som do forró de forma sincronizada. Em geral, a coreografia simula um casamento matuto. Dependendo do tamanho e da organização do evento, há participantes com papéis específicos, incluindo noivo, noiva e padre.
O casamento é um elemento fundamental da encenação. A figura do padre, assim como as do noivo e da noiva, são componentes que conferem identidade à quadrilha, seja em sua versão mais tradicional, seja em sua forma contemporânea e estilizada.
Uma figura essencial em qualquer quadrilha é o marcador — também conhecido como puxador —, responsável por conduzir os casais e anunciar os movimentos que serão executados pelos participantes.
Nas últimas décadas, essa manifestação folclórica passou por um processo de profissionalização. Diversos grupos começaram a montar grandes espetáculos, disputando campeonatos com temas e enredos elaborados. Nesses festivais, as agremiações têm, geralmente, entre 25 e 30 minutos para se apresentar ao público, em uma estrutura que lembra os desfiles das escolas de samba durante o carnaval.
O nome quadrilha tem origem na palavra francesa quadrille, utilizada para designar um conjunto de danças de salão praticadas nas cortes europeias, como a polca, a valsa e a mazurca.
Trazidas ao Brasil pelos portugueses, essas danças foram adaptadas à medida que se popularizavam, recebendo influências indígenas e africanas em uma época em que havia poucas cidades e a maior parte da população vivia nas áreas rurais.
Quando a corte portuguesa chegou ao Brasil, liderada por Dom João VI, trouxe consigo diversos costumes, entre eles as danças da corte, incluindo a quadrilha. Tanto é que muitos dos comandos utilizados até hoje nas quadrilhas são adaptações de expressões francesas. É o caso de ‘alavantu’, derivado de en avant tous (todos para a frente), e de ‘balancê’, que vem do verbo francês balancer (balançar).
Em 24 de junho, Dia de São João, a quadrilha junina foi oficialmente reconhecida como manifestação da cultura nacional. A Lei nº 14.900, de 2024, tornou oficial esse reconhecimento. Assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ministra da Cultura Margareth Menezes, a norma foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).
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