Polícia

Morte de motoqueiro traz alerta sobre uso de linha encerada

Cleuson Viana, de 39 anos, foi surpreendido e acabou atingido por linha de pipa no retorno do trabalho; fatalidade ocorreu em Santana


 

Elen costa
Da Redação

 

A morte de um motoqueiro ocorrida na terça-feira, 30, no bairro Paraíso, em Santana, traz um alerta sobre uma prática criminosa que é normalizada por muitos: o uso de linha encerada.

 

Cleuson Andrade Viana, de 39 anos de idade, foi surpreendido e acabou atingido por linha de pipa no retorno do trabalho. Ele teve um ferimento profundo e grave no pescoço, o que lhe causou um intenso sangramento. Ele chegou a ser socorrido por populares que passavam no momento e, em seguida, pelo Corpo de Bombeiros, que o levou para o Hospital de Emergências. Mesmo com os esforços da equipe médica, o motociclista não resistiu.

 

O uso desse tipo de material, como a linha encerada, o cerol e a linha chilena, é proibido por leis estaduais e municipais e configura crime penal no Brasil. A prática, associada historicamente ao lazer de crianças, jovens, e até mesmo adultos, tem gerado tragédias urbanas frequentes.

 

O que começa como uma disputa para cortar a pipa do adversário, pode terminar em hospitais ou delegacias. A popular linha encerada modificada — seja pelo cerol tradicional (mistura artesanal de cola e vidro moído) ou pelas industrializadas linhas chilenas (compostas por quartzo e óxido de alumínio) — ganha um potencial de corte comparável ao de uma lâmina de bisturi.

 

Os principais alvos são motociclistas, ciclistas e pedestres. Em episódios trágicos recentes, como no caso de Cleuson, condutores sofreram lesões profundas no pescoço e decapitações ao cruzarem vias públicas cortadas por esses fios. Além dos danos físicos diretos, as linhas com materiais abrasivos frequentemente rompem cabos da rede elétrica, gerando curtos, falta de energia e risco iminente de choques elétricos para quem está manipulando o “brinquedo”.

 

A legislação brasileira endureceu as regras contra os materiais cortantes e o avanço de novos projetos visa unificar a tipificação federal da conduta. O enquadramento legal atual ocorre por meio de diferentes mecanismos, que variam de três meses a um ano de detenção; multas administrativas, que ultrapassam a marca de R$ 2 mil, podendo chegar até R$ 5mil para quem for flagrado vendendo ou empinando pipas com esses materiais. Quando o ato é praticado por menores de idade, os pais ou responsáveis legais respondem administrativamente e criminalmente pelas consequências dos atos.

 

Autoridades como a Guarda Municipal e a Polícia Militar realizam operações frequentes para apreender materiais cortantes, principalmente durante o período de férias escolares. O foco das campanhas é resgatar o espírito saudável da brincadeira de rua. Especialistas apontam que a pipa é um patrimônio cultural e de lazer, desde que mantida com a tradicional linha de algodão, sem adições químicas ou abrasivas, garantindo a integridade coletiva nos espaços urbanos.

 


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