Polícia

Polícia deflagra operação contra grupo que aplicava golpes com sites falsos no Amapá

Ação fez parte da operação Boleto Fantasma 2 e investiga organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas


 

Mais de R$ 5 milhões em bens, veículos de luxo, dinheiro, ouro e ativos ligados a um esquema de fraudes eletrônicas foram apreendidos durante a segunda fase da Operação Boleto Fantasma, deflagrada nesta quinta-feira (2). A ação da Polícia Civil do Amapá cumpriu mandados em Goiás e Santa Catarina.

 

Durante a operação policial, foram presos sete suspeitos e foi desarticulada uma suposta organização criminosa investigada por aplicar golpes por meio de sites falsos que simulavam a emissão de segunda via de contas de energia.

 

A operação foi conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DR-CCIBER), da Polícia Civil do Amapá, com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), das Polícias Civis de Goiás e de Santa Catarina, além do Núcleo de Operações de Inteligência (NOI) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), ambos da Polícia Civil do Amapá.

 

Mandados foram cumpridos em Balneário Camboriú

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva, 22 mandados de busca e apreensão e 20 medidas de sequestro de bens nos estados de Goiás e Santa Catarina. Das buscas realizadas, 18 ocorreram em Goiás e quatro em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina. Segundo a Polícia Civil, dois integrantes da organização criminosa permanecem foragidos.

 

A operação resultou no bloqueio de valores, indisponibilidade patrimonial, sequestro de bens e apreensão de veículos utilizados pelo grupo. Entre eles estão um Porsche, duas BMWs, dois caminhões, além de outros automóveis, uma motoaquática, equipamentos eletrônicos, documentos, dispositivos de armazenamento e materiais relacionados à movimentação financeira investigada.

 

Durante as diligências, também foram apreendidos dinheiro em espécie, joias, um relógio de luxo, equipamentos eletrônicos e dispositivos utilizados no contexto da investigação. De acordo com a Polícia Civil, apenas a apreensão física de dinheiro, ouro, prata e do relógio alcançou valor estimado de pelo menos R$ 311.335, sendo R$ 26.335 em espécie, cerca de R$ 150 mil em ouro, R$ 10 mil em prata e um relógio Rolex avaliado em aproximadamente R$ 125 mil.

 

Além disso, os policiais apreenderam diversos equipamentos eletrônicos, entre eles iPhones, MacBooks, computadores gamers, tablets, notebooks e uma carteira de hardware utilizada para armazenamento de criptoativos.

 

Conforme a investigação, o conjunto dos equipamentos está avaliado em mais de R$ 200 mil. Todo o material será submetido à análise para aprofundar a apuração, identificar o fluxo financeiro, localizar novos bens e valores e apurar eventuais beneficiários do esquema.

 

Como funcionava esquema de boletos falsos

Segundo a investigação, a organização criminosa criava sites falsos para emissão de segunda via de faturas da concessionária de energia do Amapá, levando as vítimas a acreditarem que acessavam um ambiente oficial para pagamento.

 

Após inserirem os dados pessoais, os usuários efetuavam pagamentos por boletos, PIX, QR Codes e outros meios eletrônicos, mas os valores eram direcionados para contas bancárias, contas de pagamento, gateways, empresas e pessoas interpostas ligadas ao grupo.

 

Conforme a DR-CCIBER, a organização possuía uma estrutura profissionalizada, com divisão de tarefas entre núcleos responsáveis pela criação dos sites falsos, impulsionamento por anúncios patrocinados, operação de painéis, atendimento às vítimas, processamento dos pagamentos por gateways, movimentação dos recursos, ocultação patrimonial e utilização de pessoas interpostas.

 

Prejuízo causado por golpe de boletos falsos ultrapassa os R$ 5 milhões

A Polícia Civil informou que o prejuízo direto identificado até o momento supera R$ 5 milhões, considerando os valores desviados, bens apreendidos, veículos sequestrados, ativos bloqueados e a movimentação financeira vinculada à organização criminosa.

 

O montante, segundo a corporação, poderá aumentar com a análise dos materiais apreendidos, novas quebras de sigilo, identificação de outras vítimas e rastreamento integral dos bens e valores movimentados pelo grupo.

 

O delegado Breno da Costa Esteves, titular da DR-CCIBER, afirmou que a operação teve como objetivo atingir diretamente a estrutura financeira da organização.

 

“Essa organização criminosa utilizava tecnologia, anúncios patrocinados, sites falsos, gateways de pagamento e pessoas interpostas para enganar vítimas e ocultar os valores obtidos com os golpes. A Polícia Civil do Amapá atuou para atingir não apenas os operadores, mas também a estrutura financeira do grupo, com prisões, buscas, bloqueio de valores, sequestro de bens e apreensão de veículos de luxo, incluindo um Porsche, duas BMWs e dois caminhões”, destacou.

 

Investigados poderão responder por estelionato eletrônico

De acordo com a Polícia Civil, os investigados poderão responder, conforme a individualização das condutas, pelos crimes de estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de capitais.

 

Ao final da operação, a Polícia Civil do Amapá reforçou a orientação para que golpes envolvendo falsas faturas, boletos e links de pagamento sejam comunicados imediatamente às autoridades policiais.

 

A corporação também recomenda que a população utilize apenas os canais oficiais das empresas, evite acessar anúncios patrocinados suspeitos e desconfie de páginas que solicitem dados pessoais ou pagamentos fora dos sites oficiais.

 


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