Entrevista

Margem Equatorial pode colocar o Brasil entre os líderes da nova fronteira mundial do petróleo

Especialista compara potencial da Foz do Amazonas aos grandes casos de sucesso da Guiana, Suriname e Namíbia e destaca que previsibilidade e continuidade da exploração serão decisivas para atrair investimentos.


 

Cleber Barbosa
Da Redação

 

Cleber Barbosa: Quando se fala em Margem Equatorial, quais são os principais exemplos internacionais que servem de referência para o Brasil?

Flávio Menten: O principal comparativo é a Guiana e o Suriname, países vizinhos que compartilham características geológicas semelhantes às da Bacia da Foz do Amazonas. Também podemos citar a Namíbia e a costa norte da África do Sul, que tiveram importantes descobertas recentes em águas profundas, além da Noruega, referência mundial em exploração offshore e desenvolvimento de novas fronteiras petrolíferas.

 

Cleber Barbosa: O que os dados mostram sobre as semelhanças entre essas regiões e o potencial brasileiro?

Flávio Menten: Há quinze anos, o Brasil liderava as descobertas mundiais com o pré-sal. Nos últimos anos, esse protagonismo passou para Guiana e Suriname, que encontraram mais de 14 bilhões de barris de óleo equivalente em uma década. O Brasil continuou realizando descobertas, mas concentradas em áreas já maduras. A Margem Equatorial representa justamente a oportunidade de abrir uma nova fronteira exploratória.

 

Cleber Barbosa: É possível ficar otimista diante desse cenário?

Flávio Menten: Sim, mas com responsabilidade. Estamos falando de uma região que já foi explorada anteriormente em águas rasas, porém agora contamos com novas tecnologias, capazes de alcançar reservatórios em águas profundas com muito mais precisão e segurança. O potencial existe, mas precisa ser confirmado pelas perfurações.

 

Cleber Barbosa: O avanço tecnológico também contribui para tornar a operação mais segura?

Flávio Menten: Sem dúvida. As tecnologias atuais permitem operações muito mais seguras e eficientes, tanto do ponto de vista operacional quanto ambiental. Isso reduz riscos e amplia a capacidade de monitoramento durante todas as etapas da atividade.

 

Cleber Barbosa: Quais lições o Brasil pode tirar das novas fronteiras exploratórias abertas recentemente em outras partes do mundo?

Flávio Menten: O principal aprendizado é que uma região desconhecida pode mudar rapidamente de status quando surgem descobertas sucessivas. Foi o que aconteceu na Namíbia, por exemplo. Grandes empresas internacionais passaram a investir depois que o potencial foi comprovado. Esse movimento aumenta a confiança do mercado e acelera novos investimentos.

 

Cleber Barbosa: Como a Margem Equatorial brasileira disputa investimentos com outras regiões produtoras do mundo?

Flávio Menten: Hoje as empresas são muito mais seletivas. Elas priorizam projetos resilientes, competitivos e com menor intensidade de emissões. O offshore brasileiro possui essas características. Além disso, percebemos um retorno do interesse mundial pelas fronteiras exploratórias, depois de alguns anos em que os investimentos estavam concentrados apenas em áreas próximas de infraestrutura já existente.

 

Cleber Barbosa: As discussões sobre licenciamento ambiental afastam investidores internacionais?

Flávio Menten: O mercado entende que processos regulatórios fazem parte da atividade. O mais importante é haver previsibilidade. Quando as regras são claras e os prazos conhecidos, as empresas conseguem incorporar esse fator ao planejamento dos investimentos. O Brasil também possui reconhecimento internacional pela qualidade das operações e pelos padrões ambientais adotados.

 

Cleber Barbosa: Na sua avaliação, qual será o principal fator para determinar o sucesso da Margem Equatorial?

Flávio Menten: A repetibilidade. Um único poço não define o potencial de uma nova fronteira. Mesmo que o primeiro resultado seja positivo, será necessário realizar novas perfurações e ampliar o conhecimento geológico da região para comprovar que esse potencial se repete. É isso que transforma uma descoberta em um grande polo produtor.

 

Perfil

Flávio Menten – O engenheiro mecânico Flávio Ferreira Menten atua como especialista e analista do mercado de óleo e gás na renomada consultoria internacional Rystad Energy.

Formação Acadêmica
– Graduação em Engenharia Mecânica.
– École Centrale de Lyon (França):
– Formação acadêmica de excelência em engenharia e tecnologia

Breve currículo
– Reconhecido por suas análises de mercado sobre o potencial exploratório, investimentos e geopolítica da indústria energética na América Latina, seu perfil profissional reúne uma sólida bagagem técnica e acadêmica internacional
– Especialista em Energia: Focado no mercado de Upstream de petróleo e gás.
– Porta-voz do Setor: Fonte frequente para veículos especializados como BNamericas e o portal R7.
– Visão Estratégica: Expertise em análise de investimentos em novos projetos e segurança geopolítica de combustíveis fósseis.

Atual momento
– Cargo atual: Analista Sênior / Analista de Pesquisa de Óleo.
– Atividades:
Avaliação de tendências globais de oferta e demanda, atratividade de fronteiras exploratórias (como a Margem Equatorial brasileira), desenvolvimento do mercado de gás na Colômbia e o avanço da América do Sul no cenário energético mundial.

 

 


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