Cidades

Meteorologista mostra que estiagem no Amapá começa em agosto

Jefferson Vilhena esclareceu também como El Niño afeta período de ausência de chuvas


 

Em conversa no programa LuizMeloEntrevista (Diário FM 90,9) desta segunda-feira, 27, o doutor em meteorologia pela Faculdade de Ciências da Amazônia, Jefferson Vilhena, explicou que a impressão que as pessoas possuem do prolongamento das chuvas em julho é normal, e que a finalização desse período está dentro do tempo certo.

 

Segundo o especialista, essa análise vem dos primeiros estudos realizados por ele mesmo, em 2011, a partir de dados meteorológicos e análise estatística, com os quais verificou que na região não são seis meses de chuvas, mas na verdade oito.

 

 

“A minha primeira ocorrência, eu falei, olha, não são seis meses, são oito meses de chuvas, com início em dezembro e finalização em julho. Então julho ainda é considerado mês chuvoso. A média de chuvas neste mês é de duzentos, 210, 213 milímetros. Mas acontece que como está finalizando o período chuvoso, estamos já está afoito por querer que pare”, observou.

 

Em relação ao período da estiagem, marcado pela falta de chuvas, algo que pode influenciar no seu prolongamento são o El Niño e La Niña, que possuem efeitos diferentes, de acordo com a região do país.

 

“Temos o  El Niño e La Niña, cada um tem suas consequências em cada região do Brasil e do mundo. No Sul, o El Niño chuvas e ventos fortes. Para nós, ele faz o contrário, ele tira as nossas chuvas e começa a dar períodos de estiagem de calor e seca”, disse Jefferson.

 

 

O meteorologista também explicou que o fenômeno pode começar a atuar no fim de outubro e início de novembro, e que a preocupação é justamente o prolongamento da estiagem. “Ele vem para favorecer a estiagem, significa que vai ficar prolongada e atuante por mais tempo, podendo chegar até de fevereiro de 2027. Na nossa climatologia, as chuvas começam em dezembro. Então, se ele vai estar atuante até fevereiro ou mais, chegar a março, significa que o início das chuvas pode ser adiado para o próximo ano, entre março e abril”, observou.

 

Na oportunidade, o meteorologista também explicou sobre a baixa dos rios neste período de estiagem: “Estamos na foz do rio Amazonas, não nas cabeceiras, mas percebemos que o nosso rio aqui, por ele ser muito largo, a conseguimos perceber essa diminuição das águas, mas só características, como a salinidade da água que por fica mais fraca o oceano tem mais liberdade para poder entrar, e os poços, que começam a secar”, detalhou.

 

Jefferson Vilhena ainda observou que dificilmente um furacão pode atingir o Amapá, porque o estado se situa numa zona de convergência, em virtude da Linha do Equador, que joga o fenômeno para o Hemisfério Norte. “Então, não se tem notícia, até hoje, de algum furacão que tenha atravessado a Linha do Equador”, destacou.

 


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