Cafeicultura ganha força na Expofeira com capacitação e lançamento da Rota do Café
Iniciativa reúne produtores do estado e de outras regiões para ampliar conhecimentos sobre a cultura do café robusta, variedade adaptada às condições tropicais

A cafeicultura do Amapá entra em uma nova fase de organização e desenvolvimento com a realização de um curso teórico e prático sobre a atividade e o lançamento da “Rota do Café”, durante a Expofeira 2026, nos dias 11, 12 e 13.
Promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Embrapa Amapá e Cooperativa de Cafeicultores do Amapá, a iniciativa reúne produtores de várias regiões para compartilhar conhecimentos sobre o café robusta, variedade reconhecida pela adaptação a condições de clima quente e úmido e com potencial para o cultivo na Amazônia.
Ao longo dos três dias, a programação combina conteúdos teóricos e atividades práticas, com orientações que vão desde a formação de viveiros e produção de mudas até a implantação das lavouras.
Redução de riscos
A proposta é oferecer aos participantes conhecimentos e ferramentas que contribuam para a tomada de decisões, reduzam riscos e fortaleçam uma produção com mais qualidade e sustentabilidade.
Segundo Beatriz Silva, da SDR, a iniciativa amplia o acesso dos produtores a conhecimentos e novas estratégias para o fortalecimento da atividade no estado.
“Estamos trazendo uma experiência importante para a cafeicultura, com conhecimentos teóricos e práticos sobre o café robusta. Também apresentamos novidades, como a Rota do Café, levando aos produtores ferramentas que possam reduzir os riscos e contribuir para uma produção mais segura e de qualidade”, explicou.
Para a chefe-geral da Embrapa Amapá, Cristiane Ramos de Jesus, a capacitação representa a oportunidade de levar aos produtores conhecimentos acumulados a partir das pesquisas desenvolvidas pela instituição e avançar na construção de uma produção de café no estado.
“Estamos trazendo o conhecimento de anos de pesquisa da Embrapa sobre o café robusta, que apresenta características de adaptação às condições climáticas da Amazônia. É uma cultura com potencial para o Amapá e que pode nos ajudar a avançar na construção de uma cafeicultura capaz de produzir café em nosso estado, estamos começando essa inovação, já deu certo em outros estados do norte, como Rondônia”, destacou.
Produção pautada na ciência
O Amapá desenvolve pesquisas relacionadas à cafeicultura desde 2022. A partir desse trabalho, a estratégia é construir uma produção baseada em ciência e tecnologia, aproveitando as características do território e experiências de outras regiões produtoras. O café robusta é uma das variedades estudadas por apresentar características favoráveis ao cultivo em regiões de clima tropical.
Durante a programação, a palestra ministrada por Renata Silva, analista e chefe-adjunta de Inovação e Negócios da Embrapa Café, também abordou as possibilidades de desenvolvimento da atividade no estado. Para ela, o avanço da cafeicultura depende da integração entre produtores, pesquisa, tecnologia e instituições.
“Estamos aqui, para trazer essas informações atualizadas sobre a cafeicultura, que é voltada para a produção com qualidade e sustentabilidade, uma cafeicultura que pode ser um fator de transformação social, um vetor voltado para o desenvolvimento do território. O que a gente vê aqui no Amapá são potenciais para a cafeicultura e aqui tem condições de desenvolver cafeicultura e tem potencial para isso”, destacou.
Fundada em 2025, a Cooperativa de Cafeicultores do Amapá conta atualmente com 51 cooperados e participa pela primeira vez de uma atividade desse porte. Para o presidente da entidade, Orlando Vasconcelos, o momento representa o início de uma mudança na forma de produzir café no estado.
“Estamos começando a plantar e a entender todo o processo, desde a plantação. É um aprendizado que envolve conhecer a planta, entender o cultivo e buscar formas de produzir com mais qualidade. Assim, vamos deixar de ser extrativistas para avançar para uma produção estruturada, com conhecimento e planejamento”, destacou.
A programação também contou com as palestras de Samuel Menezes, coordenador nacional de sistemas produtivos e inovadores, Leandro Guimarães, consultor da Rota Café, Sibá Machado, SUDAM, Claudio Moizes, CooperRio – Rio Preto da Eva Amazonas, Orlando Pereira, presidente da cooperativa dos cafeicultores e Josimar Aleixo, da Embrapa Rondônia. A expectativa é que o fortalecimento da cafeicultura contribua para a geração de renda, inclusão socioeconômica e desenvolvimento sustentável, transformando o potencial identificado no estado em uma cadeia produtiva estruturada e capaz de agregar valor ao território amazônico.
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