Cidades

Amapá adere à política nacional e suspende uso do fogo para prevenir focos de calor e incêndios florestais

Medida preventiva vale de 1º de setembro a 30 de novembro em todo o estado, diante da concentração histórica de focos no período seco e do cenário climático de 2026


fotos: Alexandra Flexa/GEA

 

Como medida preventiva e de caráter urgente diante dos efeitos da estiagem e do fenômeno El Niño, o Amapá estabelece período proibitivo do uso do fogo em todo o estado, em áreas rurais e urbanas, de 1º de setembro a 30 de novembro, podendo ser prorrogado.

 

A decisão foi validada nesta terça-feira, 1º de setembro, durante reunião do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento, Queimadas e Incêndios Florestais do Estado do Amapá (PPCDAP).

 

 

O encontro que reuniu gestores e representantes de órgãos estaduais e federais na Sala de Situação e Monitoramento da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) faz parte da estratégia de antecipação das ações do Governo do Estado para garantir respostas rápidas à população diante do aumento do risco de incêndios.

 

“A antecipação do período proibitivo permite integrar dados, equipes e estratégias de resposta, fortalecendo o monitoramento e a atuação preventiva nos locais com maior risco de incêndios”, destaca Cleane Pinheiro, secretária adjunta técnica da Sema.

 

Conforme informações da Nota Técnica da Sema, entre 1º de agosto e 1º de setembro de 2026, foram registrados 67 focos de calor no estado, contra 14 no mesmo período de 2025, aumento de 378,6%. Calçoene concentrou o maior número de ocorrências, com 36 focos, seguido por Tartarugalzinho, com 13.

 

 

Entre 2003 e 2025, 97% dos 41.888 focos registrados ocorreram entre setembro e dezembro, sendo outubro e novembro responsáveis por 74,6% das ocorrências. Setembro e outubro registram as menores médias históricas de chuva, com 25,4 milímetros e 22,7 milímetros, respectivamente. Para 2026, a previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, associadas ao El Niño, reforça o cenário de seca e estiagem prolongada.

 

“Os dados mostram que o fogo começa a ganhar força antes do pico de outubro e novembro. Por isso, antecipar as ações é fundamental para que o Estado consiga responder rapidamente aos focos identificados. O monitoramento permanente permite direcionar equipes, recursos e fiscalização para os territórios que apresentam maior risco”, explica Marcos Almeida, diretor de Desenvolvimento Ambiental da Sema.

 

Estrutura reforçada

Dados de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) também reforçam a necessidade de antecipação. Para fortalecer a prevenção e o combate aos incêndios florestais, a estrutura operacional foi ampliada com novos equipamentos, tecnologias e veículos para o Corpo de Bombeiros.

 

 

A Sema também monitora eventos hidrológicos, focos de incêndio, queimadas ativas, cicatrizes do fogo e a situação de seca no estado. Como reforço inédito, a Sema autorizou a contratação de 62 guarda-parques para atuar nas ações de apoio e combate aos incêndios florestais.

 

Monitoramento e integração

Durante a vigência da medida, a Sema fará o monitoramento integrado de focos de calor, risco de fogo, condições meteorológicas, fumaça e capacidade de resposta, em articulação com o Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, municípios, órgãos federais e área da saúde. A estratégia prevê boletins periódicos, reforço operacional e possibilidade de antecipação, prorrogação ou intensificação das medidas conforme os indicadores técnicos e a segurança da população.

 

Exceções, sanções e denuncias

A suspensão não impede queimas controladas em práticas agrícolas de subsistência realizadas por populações tradicionais e indígenas, ações de prevenção e combate supervisionadas por instituições públicas, controle fitossanitário indispensável, desde que autorizado. O descumprimento está sujeito a sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação ambiental, com pena de reclusão de 2 a 4 anos e multa nos casos previstos.

 

A proibição também alcança a queima de lixo doméstico, entulho e outros materiais em áreas urbanas ou rurais. Denúncias podem ser feitas pelos números 193, do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, e 190, do Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciodes).

 

 


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