Nonato Souza transforma experiência em qualidade de vida
Com mais de cinco décadas dedicadas à fisioterapia, natação e massoterapia, profissional alia conhecimento técnico e acolhimento em práticas que ajudam pessoas de diferentes idades

Antes mesmo de entrar na água, o corpo parece receber um convite para desacelerar. Árvores fazem sombra, pássaros circulam entre os galhos, flores e frutos compõem o cenário e ajudam a transformar a chegada em uma espécie de intervalo na rotina. No centro desse espaço, uma piscina comprida e larga, de água azul feito o céu, anuncia que ali o movimento pode acontecer de outra maneira: com menos impacto, mais leveza e atenção às necessidades de cada pessoa.
É nesse ambiente que Nonato da Silva Souza, mais conhecido por Nonato Souza, aos 76 anos, recebe pacientes e alunos com o mesmo sorriso largo e fácil que acompanha suas histórias. Professor de Educação Física e fisioterapeuta, ele acumula mais de 50 anos de experiência em diferentes áreas ligadas ao movimento, à saúde e ao esporte. À frente da Academia de Ginástica DU Nonato, da Escola de Natação DU Nonato e do consultório de fisioterapia instalado no mesmo espaço, Nonato construiu uma trajetória que passa pela natação, treinamento esportivo, hidroginástica, hidroterapia, massoterapia e técnicas de relaxamento, entre elas o Watsu.
A relação com a água, para ele, não começou agora. Professor e técnico da seleção de natação, participou da preparação de atletas para competições do Torneio Norte e Nordeste de Natação na piscina olímpica. Também foi professor e diretor da Escola General Azevedo Costa. Sua formação inclui Educação Física pela Escola Superior de Educação Física do Pará (Esefpa), Fisioterapia pela Faculdade Seama, pós-graduação em Acupuntura e formação em Treinamento Desportivo em Bases Científicas.
O currículo ainda guarda capítulos no futebol. Nonato foi árbitro formado pela Federação Paraense de Futebol de Campo e de Futebol de Salão e atuou também pela Federação Amapaense de Futebol de Campo. No Pará, foi o primeiro árbitro a comandar uma partida no Mangueirão durante a inauguração dos refletores, entre as seleções do Pará e do Amazonas. No Amapá, esteve à frente de finais de campeonatos de futebol de campo, ainda na fase amadora, e também arbitrou a decisão do primeiro campeonato de futebol profissional de Macapá/Amapá.
Mas é na relação cotidiana com o corpo que parte significativa de sua experiência se transforma em cuidado. E, nesse campo, a água ocupa um lugar especial.
Quando a água diminui o peso do corpo
Para pessoas que sentem dores, possuem limitações de mobilidade ou simplesmente precisam de uma atividade física com menor impacto, o ambiente aquático pode oferecer uma alternativa confortável para se movimentar. A flutuação reduz parte da carga sobre o corpo, enquanto a resistência da água permite trabalhar força e condicionamento de maneira diferente dos exercícios realizados em solo.
É possível desenvolver atividades voltadas para diferentes objetivos e faixas etárias, incluindo natação convencional e adaptada, hidroginástica, hidroterapia, caminhada aquática, exercícios de fortalecimento, equilíbrio, coordenação motora, alongamento e mobilidade.
Na terceira idade, essas possibilidades ganham ainda mais importância. Exercícios aquáticos podem contribuir para força, equilíbrio, flexibilidade e condicionamento físico, respeitando as condições individuais e, quando se trata de reabilitação ou tratamento, a indicação e o acompanhamento de profissionais habilitados.
A proposta também pode beneficiar pessoas mais jovens que necessitam reduzir o impacto durante a prática de exercícios ou que estão em processos de recuperação funcional.
“Na água, temos a flutuação, a pressão hidrostática e a resistência. O corpo fica mais leve e isso permite trabalhar movimentos que, fora da água, poderiam ser mais difíceis ou dolorosos”, explica Nonato.
É uma mudança simples de ambiente, mas que pode fazer grande diferença para quem convive com limitações. A água oferece resistência sem a mesma sobrecarga das atividades de alto impacto e cria condições para que o movimento seja trabalhado de maneira gradual.
Watsu: quando o exercício também é relaxamento
Entre as técnicas utilizadas por Nonato está o Watsu, uma prática aquática que combina movimentos de alongamento, mobilidade e relaxamento. Embora ainda seja relativamente nova em Macapá, a técnica surgiu na década de 1980, desenvolvida pelo norte-americano Harold Dull a partir de trabalhos de alongamento realizados dentro da água.
Durante a sessão, o paciente permanece sustentado pelo terapeuta, que conduz movimentos suaves de alongamento, flexibilidade e relaxamento. A própria água participa do processo: a flutuação diminui a ação da gravidade e cria uma sensação de leveza que favorece a mobilidade.
Segundo Nonato, a técnica pode ser utilizada em situações relacionadas a dores e alterações na coluna, sempre dentro de uma avaliação e indicação adequada. O profissional também destaca seus efeitos sobre o relaxamento e o bem-estar.
“É uma técnica de relaxamento, alongamento e flexibilidade. A água não oferece o mesmo impacto que temos fora dela. O paciente fica mais leve, relaxa e consegue realizar movimentos de uma maneira diferente”, explica.
O aspecto emocional também faz parte da experiência descrita pelo fisioterapeuta. Para ele, o contato com a água, a sustentação do corpo e a condução dos movimentos podem favorecer uma sensação profunda de segurança e acolhimento.
“É uma sensação incrível, única. É como se a pessoa se reconectasse com uma versão dela mesma que nem lembra. A água proporciona uma sensação de acolhimento e segurança muito grande”, relata.
Por envolver relaxamento e percepção corporal, o Watsu também é apontado por Nonato como uma possibilidade complementar para pessoas que enfrentam estresse, tensão, ansiedade e depressão. A prática, no entanto, não substitui acompanhamento médico ou psicológico quando necessário. Seu papel está relacionado ao relaxamento, à consciência corporal e à promoção de bem-estar.
Corpo e mente também entram na piscina
A experiência de quem procura uma atividade física nem sempre começa pela vontade de ganhar força ou melhorar o condicionamento. Às vezes, começa pela necessidade de voltar a se movimentar. Em outras situações, pelo desejo de aliviar dores, recuperar autonomia ou simplesmente encontrar uma atividade que seja possível manter ao longo dos anos.
É nesse ponto que a experiência acumulada por Nonato ganha outra dimensão. Aos 76 anos, ele continua trabalhando diretamente com pessoas que buscam diferentes caminhos para cuidar do corpo.
A massoterapia também integra esse trabalho. Associada a outras práticas e quando indicada de acordo com as necessidades individuais, pode contribuir para o relaxamento muscular, a percepção corporal e a sensação de bem-estar. Para pessoas submetidas a rotinas de estresse, por exemplo, momentos de relaxamento podem representar uma pausa importante em meio à correria cotidiana.
A proposta é olhar para o indivíduo de maneira integral, sem transformar idade ou limitação em impedimento automático para o movimento.
“Queremos também uma melhor qualidade de vida. Por essa razão, indicamos as atividades de acordo com aquilo que cada pessoa precisa”, resume Nonato.
Mais de cinco décadas em movimento
A história profissional de Nonato Souza é marcada justamente pela diversidade. Da formação em Educação Física à fisioterapia; das piscinas aos campos de futebol; do treinamento esportivo à massoterapia e às técnicas aquáticas de relaxamento, sua trajetória foi construída a partir de uma mesma matéria-prima: o movimento humano.
Aos 16 anos, ele foi contratado pelo Clube do Remo, em Belém (PA). Foi também nessa época que começou a se aventurar pela natação em águas abertas, e realizou sua primeira travessia do rio Guajará. Anos mais tarde, já em Macapá, protagonizou um feito que, segundo ele, permanece único: a travessia a nado do rio Amazonas, partindo do Furo dos Porcos, na outra margem, até a capital amapaense. Ao todo, foram 17 quilômetros percorridos em cinco horas, com chegada no Trapiche Eliezer Levy, no centro da cidade.
Na Academia de Ginástica DU Nonato, ele reúne parte dessa experiência em um espaço onde a piscina semiolímpica divide a atenção com o consultório de fisioterapia e as atividades físicas. Localizada na Rua Jovino Dinoá, nº 215, entre as ruas Ana Nery e Marcílio Dias, no bairro Jesus de Nazaré, a estrutura recebe pessoas com diferentes idades, objetivos e necessidades.
E talvez seja justamente a combinação entre conhecimento técnico e acolhimento que ajude a explicar a permanência de Nonato nessa atividade depois de mais de quatro décadas.
Ele continua contando histórias, rindo com facilidade e recebendo quem chega com um sorriso que, antes mesmo de qualquer exercício, parece dizer que ali ninguém precisa ter pressa.
Porque, naquele pedaço verde da cidade, entre árvores, pássaros, flores e uma piscina azul que parece prolongar o céu, movimentar o corpo também pode ser uma maneira de reaprender a respirar, relaxar e cuidar de si.
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