Governo do Amapá formaliza acordo com a Transpetro e avança nas articulações para atrair base logística da Petrobras
Acordo com a Transpetro fortalece a articulação do Estado para atrair investimentos e ampliar oportunidades na cadeia de petróleo e gás

O Governo do Amapá avança na articulação para inserir o estado no planejamento logístico da Petrobras e ampliar as oportunidades econômicas relacionadas à exploração de petróleo na Margem Equatorial. Com um acordo formalizado com a Transpetro, subsidiária da Petrobras, e uma agenda contínua de diálogo com representantes do setor, a gestão estadual trabalha para atrair investimentos, preparar a infraestrutura e fortalecer a participação de empresas e profissionais amapaenses nessa cadeia produtiva.
Em dezembro de 2025, o Governo do Amapá e a Transpetro assinaram um memorando de entendimento para iniciar estudos de viabilidade técnica voltados à possível instalação de um terminal logístico na Região Norte. O acordo representa um marco nas tratativas conduzidas pelo Estado para avaliar estruturas capazes de apoiar futuras operações da indústria de petróleo e gás, condicionadas aos resultados da exploração e à viabilidade dos empreendimentos.
A discussão ganhou destaque após notícias sobre a possibilidade de Belém, no Pará, funcionar como base de apoio às operações da Petrobras. Na noite de sábado, 10, a presidente da companhia, Magda Chambriard, esclareceu que o planejamento considera estruturas logísticas tanto no Pará quanto no Amapá.

Magda Chambriard, presidente da Petrobras, e o governador Clécio Luís durante agenda sobre petróleo e gás no Amapá
“O que afirmei foi a possibilidade de contarmos com estrutura logística no Pará e no Amapá”, escreveu Magda.
A declaração reforça a importância de manter o Amapá nas discussões sobre a estrutura logística necessária às futuras operações na Margem Equatorial. Para o Governo do Estado, o objetivo é dar continuidade às tratativas institucionais e técnicas para que o potencial econômico da região também se traduza em oportunidades para a população amapaense.
Articulação começou em 2025 e avançou com estudos técnicos
A atuação do Governo do Amapá para atrair estruturas logísticas começou antes da formalização do memorando. Em setembro de 2025, o governador Clécio Luís visitou o Porto de Niterói para conhecer experiências relacionadas à infraestrutura offshore. No mês seguinte, durante agendas voltadas ao setor de petróleo e gás, a Petrobras anunciou estudos para avaliar estruturas marítimas e logísticas no estado.
Em novembro, o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, esteve no Amapá acompanhado de uma equipe técnica para discutir possibilidades de implantação de uma base logística, incluindo aspectos técnicos e jurídicos e o diálogo com o setor produtivo local. As tratativas resultaram, em dezembro, na assinatura do memorando de entendimento entre a empresa e o Governo do Estado.
Para o diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, Wandenberg Pitaluga Filho, a possibilidade de utilização de estruturas no Pará não significa que o estado amapaense esteja fora do planejamento da companhia.
“A Petrobras já utiliza a estrutura do Pará para apoiar suas operações. Isso não é uma novidade e não significa que o Amapá esteja fora desse processo”, afirmou.
O memorando estabelece uma etapa formal de cooperação para a realização de estudos, mas não representa a aprovação definitiva de uma base logística nem garante sua construção. A continuidade das avaliações técnicas e econômicas será fundamental para determinar a viabilidade de novos empreendimentos.
Preparação ambiental e diálogo com as comunidades
Paralelamente às articulações econômicas, o Governo do Amapá acompanha ações relacionadas à preparação ambiental e à segurança das atividades na região. Em abril de 2025, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente licenciou uma unidade de atendimento e reabilitação de fauna em Oiapoque.
O Estado também acompanhou discussões sobre o licenciamento federal, conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e iniciativas de preparação para situações de emergência.
Em junho de 2025, o governador Clécio Luís reuniu lideranças indígenas em Oiapoque para dialogar sobre a pesquisa de petróleo na costa amapaense, esclarecer dúvidas e ouvir as preocupações das comunidades.
“Participamos de reuniões, acompanhamos o licenciamento ambiental, apoiamos os exercícios de simulação de emergência e mantivemos diálogo com os povos indígenas e as comunidades da região. Esse trabalho não aconteceu da noite para o dia. Foi construído com dedicação, respeito e diálogo”, ressaltou Wandenberg.
A preparação do estado envolve, portanto, não apenas a busca por investimentos, mas também o acompanhamento das questões ambientais, a interlocução com as comunidades e a discussão de medidas de prevenção e resposta a emergências.
Atração de investimentos e oportunidades para os amapaenses
Em 2026, o Governo do Amapá deu continuidade à agenda de articulação com empresas e representantes do setor, incluindo a participação em eventos estratégicos, como a Offshore Technology Conference (OTC), em Houston, nos Estados Unidos, e a ROG.e, no Rio de Janeiro. A iniciativa busca aproximar o estado de operadores, fornecedores e investidores, além de preparar empresas locais e trabalhadores para possíveis oportunidades na cadeia de petróleo e gás.
A movimentação ganhou novo contexto com os anúncios da Petrobras sobre a presença de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, no bloco FZA-M-59, na costa do Amapá. A primeira descoberta foi divulgada em agosto de 2026, e uma nova descoberta foi anunciada em outubro. Os resultados ampliam o conhecimento sobre o potencial exploratório da região, mas ainda dependem de análises técnicas para determinar a extensão dos recursos e sua eventual viabilidade comercial.
O avanço da exploração reforça a importância do planejamento antecipado para que o Amapá esteja preparado para eventuais investimentos, com infraestrutura adequada, qualificação profissional e condições para ampliar a participação dos fornecedores locais.
Wandenberg destaca que a estratégia estadual busca defender os interesses do Amapá sem transformar a discussão logística em uma disputa com outros estados.
“A Petrobras merece respeito e o Amapá também. A gente pode cobrar, a gente pode defender os nossos interesses e buscar novos investimentos sem abrir mão do diálogo”, declarou.
Segundo o diretor-presidente da Agência Amapá, a prioridade é garantir que o estado participe das oportunidades que possam surgir com o desenvolvimento da cadeia de petróleo e gás.
“O nosso objetivo não é disputar com o Pará, é garantir que o Amapá tem o seu espaço e continue tendo o seu espaço e participe das oportunidades que estão surgindo”.
O memorando com a Transpetro integra essa estratégia de desenvolvimento, que busca transformar o potencial econômico da Margem Equatorial em oportunidades concretas para a população. O Governo do Amapá mantém o foco na continuidade das negociações, na atração de investimentos e na preparação do ambiente de negócios para estimular a geração de empregos, renda e novas atividades econômicas.
“O desenvolvimento do Amapá está acima de qualquer disputa política e acima de qualquer ego”, concluiu Wandenberg.
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