Câmara Municipal de Macapá questiona Operação Cavalo de Troia e anuncia representação contra delegado
Em nota pública, Legislativo aponta possíveis motivações políticas na operação e informa que pedirá o afastamento cautelar do delegado Estéfano da Silva Santos das investigações

A Câmara Municipal de Macapá divulgou nota pública nesta quinta-feira, 15, manifestando preocupação com a Operação Cavalo de Troia, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil para investigar suspeitas de favorecimento a agentes públicos e integrantes de facção criminosa.
Entre os alvos da operação está o vereador Daniel Theodoro (Psol), afastado cautelarmente do cargo, assim como a ouvidora da Câmara Municipal, Cristina Pereira Pacheco. O suplente do parlamentar, Odilson Nunes, também é citado entre os investigados.
No documento, a Câmara questiona a cronologia dos acontecimentos e anuncia que o presidente da Casa, vereador Pedro DaLua, por meio da Procuradoria do Legislativo, solicitará o afastamento cautelar do delegado Estéfano da Silva Santos das investigações relacionadas ao caso. Também será apresentada representação à Corregedoria da Polícia Civil para apurar a regularidade da atuação do policial e eventual motivação alheia à finalidade investigativa.
Confira a íntegra da nota:
“Nota Pública
A Câmara Municipal de Macapá manifesta preocupação com a Operação Cavalo de Troia, deflagrada nesta quinta-feira, 15, que teve como alvo o vereador Daniel Theodoro, eleito vice-presidente da Mesa Diretora para o biênio 2027-2028.
A cronologia dos fatos causa estranheza. O Inquérito Policial nº 7248/2026, instaurado pelo delegado Estéfano da Silva Santos, foi aberto em 10 de setembro, exatamente no mesmo dia em que a Record TV gravou e exibiu reportagem na qual o delegado foi entrevistado sobre o suposto envolvimento do ex-prefeito Antônio Furlan com facções criminosas.
Mais questionável ainda é a deflagração da operação apenas dois dias após a eleição da Mesa Diretora, atingindo justamente um integrante da chapa vencedora. A sequência dos acontecimentos levanta dúvidas legítimas sobre a motivação e o momento escolhido para a ação, exigindo esclarecimentos que afastem qualquer suspeita de instrumentalização política da estrutura policial.
A nota divulgada pela Polícia Civil também merece esclarecimentos ao mencionar diligências em gabinetes e dependências da Câmara de forma abrangente, quando as buscas se concentraram em apenas duas salas.
Diante da gravidade dos fatos, o presidente Pedro DaLua, por meio da Procuradoria da Câmara, requererá o afastamento cautelar do delegado Estéfano da Silva Santos das investigações relacionadas ao caso e apresentará representação à Corregedoria da Polícia Civil, para apuração da regularidade de sua atuação e de eventual motivação alheia à finalidade investigativa.
A Câmara não se opõe ao combate ao crime organizado nem pretende obstruir investigações. Exige, porém, imparcialidade, legalidade e transparência. A utilização do aparato policial não pode servir a interesses políticos nem produzir interferências indevidas na autonomia do Poder Legislativo.
Macapá, 15 de outubro de 2026.
Câmara Municipal de Macapá”
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