Cidades

Potencial do cupuaçu alavanca tripé econômico da agricultura familiar no Amapá

Aliado ao açaí e ao cacau em sistemas agroflorestais, fruto movimenta economia rural e gera forte impacto financeiro no comércio das cidades


 

Douglas Lima
Editor

 

Em entrevista ao programa Ponto de Encontro desta quinta-feira, 29, o pesquisador da Embrapa Amapá, Antônio Carvalho falou, entre outros pontos, do alto valor agregado ao cupuaçu, devido ao aproveitamento integral e potencial promissor para o desenvolvimento agrícola no Amapá.

 

Segundo ele, o fruto, aliado ao cacau e ao açaí, forma o tripé da agricultura familiar no estado. Além da tradicional polpa, a amêndoa do cupuaçu vem sendo aproveitada para produção de manteiga de alto valor comercial e cupulate, que movimenta polos produtivos em municípios como Oiapoque e Porto Grande.

Contudo, o pesquisador atentou que o fruto ainda não aparece mapeado nas atividades econômicas do estado. “Com todo respeito aos meus amigos do IBGE, mas vocês estão vacilando”, disse, com bom humor.

 

O cupuaçu ganha ainda mais valor por contar com variedades desenvolvidas através de pesquisas para resistir a doenças como a vassoura-de-bruxa.

 

O especialista explicou também que o tripé se consolida na agricultura familiar por meio dos Sistemas Agroflorestais (SAFs), modelo que imita a estrutura da floresta e recupera os nutrientes do solo sem o uso de queimadas.

 

“Antigamente era só queimar e plantar; o solo ficava rico, mas depois de dois anos estava pobre de novo”, esclareceu o pesquisar ao exemplificar o uso dos SAFs.

 

Por fim, o pesquisador enfatizou que a prosperidade gerada no campo transborda diretamente para o ambiente urbano e aquece o comércio e o setor de serviços.

 

“A cada um real investido no campo, sete reais circulam na cidade”, concluiu Antônio, pautado no estudo da Embrapa que comprova o efeito multiplicador do setor agrário na economia dos municípios amapaenses.

 

 


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