Nota 10

Grande Mulher: Tia Chiquinha, referência do Marabaixo e Batuq

A grande mulher, apesar de franzina, mas de espírito forte, compartilhou com todos nós, filhos desta terra, seja por nascimento ou de coração, um pouco de sua sabedoria e amor pelas suas raízes.



 

Neste Dia Internacional da Mulher, destacamos, dentre outras, Francisca Ramos dos Santos, que deixou a vida aos 94 anos de idade, celebrando-a, ao mesmo tempo, pois deixou, para a “eternidade”, 11 filhos, 45 netos, 75 bisnetos e 8 tataranetos, e ainda um legado na cultura do estado. Ela foi durante quase um século uma das principais referências do Marabaixo e do Batuque.

‘Tia Chiquinha deixou a cultura amapaense de luto, pois sempre conduziu a bandeira das manifestações herdadas pelos escravos na região e que são alimentadas através das gerações quilombolas, principalmente o Curiaú.

A grande mulher, apesar de franzina, mas de espírito forte, compartilhou com todos nós, filhos desta terra, seja por nascimento ou de coração, um pouco de sua sabedoria e amor pelas suas raízes.

A passagem dela foi somente da carne. A saudade é grande, mas o sorriso, o canto, a alegria e generosidade sem iguais ficarão eternizados e nos campos quilombolas do Curiaú e no rico legado histórico cultural deixado por ela.

As festas de santos no Curiaú não serão as mesmas. A dona do chapéu florido e colorido não mais rodará a saia, não puxará mais os ladrões e não estará para receber com afeição seus convidados. Sem dúvida, uma perda irreparável para a cultura amapaense.

Não só a cultura, mas na verdade todo o Amapá perdeu um dos seus símbolos femininos, uma grande dama das tradições folclóricas.

Tia Chiquinha, acima de tudo, deixou um legado de luta pela preservação cultural de matriz afrodescendente, gênese da cultura do Amapá. Sua capacidade de aglutinar a comunidade em torno do Marabaixo e do Batuque tornou-a um valor único em defesa das tradições históricas e da cultura popular.


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