A alegria do céu

Os entendidos dizem que o costume dos pastores do tempo de Jesus era ir atrás da ovelha que se tinha afastado do resto do rebanho. Uma ovelha era sempre um bem que não podia ser desprezado.

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Com o evangelho deste domingo chegamos ao coração do próprio evangelho e também do Jubileu da Misericórdia, que está chegando ao fim. Vamos deixar que as três parábolas da misericórdia, que encontramos no capítulo 15 do evangelho de Lucas, falem ao nosso coração e marquem a nossa vida de cristãos chamados a ser misericordiosos como o nosso Pai é misericordioso. Começamos com a ovelha desgarrada, depois com a moeda perdida e, finalmente, com os dois filhos, cada um surpreendido, também se de maneira muito diferente, pela compaixão e o perdão do pai.

Os entendidos dizem que o costume dos pastores do tempo de Jesus era ir atrás da ovelha que se tinha afastado do resto do rebanho. Uma ovelha era sempre um bem que não podia ser desprezado. No entanto, quando a encontravam, quebravam uma perna dela. Não era por castigo e nem por maldade, era simplesmente para que a ovelha, tendo ficada aleijada, talvez conseguisse se lembrar e não abandonasse mais as outras. O pastor da parábola age de maneira diferente: carrega a ovelha desgarrada nos ombros e faz festa.

Os Padres da Igreja fazem uma leitura interessante da parábola da moeda perdida. Por que a mulher a procura com tanto cuidado? O que tinha de extraordinário aquela moeda de prata, além do seu valor material? Basta lembrar que, naquele tempo, as moedas traziam a imagem do rei ou do imperador. Cada pessoa é imagem de Deus. O pecador pode ter se esquecido disso, mas quando a moeda-pessoa é colocada novamente com as outras, volta a entender a sua beleza, o seu verdadeiro valor. Também a mulher faz festa.

Chegamos, enfim, à maravilhosa parábola do pai e dos dois filhos. Se o filho “pródigo” é aquele que mais chama atenção, na realidade, no centro da parábola está o pai. No texto original a palavra “pai” aparece doze vezes. Naquela família não tem mãe. Dá para entender que Jesus quis falar mesmo daquele Pai que ele veio nos fazer conhecer. O pai da parábola não deixa de surpreender a todos, ao filho mais novo e ao mais velho também. Primeiro aceita de dividir a herança antes de sua morte. Pela lei, o filho mais novo ficava com um terço da herança e o mais velho com dois terços. Por isso, o pai pode dizer ao filho mais velho: “Tudo o que é meu é teu”. Era o que t inha ficado da herança.

A casa paterna não é uma prisão para ninguém, nem para o filho mais novo, que quer ir embora iludido pela liberdade, nem para o filho mais velho, que lá permanece, porém, mais por interesse nos bens materiais que pelos laços familiares. O pai da parábola surpreende o filho mais novo, quando corre ao seu encontro, o abraça e o beija. De fato, esse filho, que tinha esbanjado tudo, não voltou por amor ao pai, mas pela fome, disposto a ser um simples empregado contanto que tivesse o que comer. No entanto, para este pai tão diferente, um filho, por errado que seja, nunca poderá ser um empregado. Logo é acolhido com todos os seus direitos: a melhor veste, o anel no dedo e as sandálias nos pés. Além disso, o pai organiza uma grand e festa com música e danças. Está feliz, mas não se esqueceu do filho mais velho que tinha ficado com raiva e não queria entrar em casa. De novo, sai e insiste para que este outro filho também participe da festa.

Com efeito, a alegria de um pai só pode ser plena não porque todos os filhos estão simplesmente recolhidos em casa, mas porque eles se acolhem entre si como irmãos, unidos pelo mesmo abraço misericordioso do único pai. Jesus termina assim a parábola; com a possibilidade ou não da reconciliação dos irmãos. Uma festa bonita, mas com um final incerto.

O Pai que Jesus veio nos fazer conhecer é bondoso, misericordioso, compassivo; sempre pronto a fazer festa por um filho que volta. Nós, infelizmente, continuamos como os dois filhos. Ás vezes fugimos para longe, atrás de uma liberdade que não existe. Outras vezes ficamos em casa, mas sem entender a bondade do Pai, prontos a cobrar dele mais castigos que perdão, cegados por uma justiça sem misericórdia. Falta muito ainda para aprendermos com o Pai a ser mais filhos e irmãos entre nós. Seria bonito, já experimentar na terra um pouco da alegria do céu.


 
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