As bananas do monge

Um viajante resolveu passar algumas semanas num mosteiro do Nepal. Certa tarde, entrou num dos muitos templos do mosteiro e encontrou um monge sorrindo, sentado perto do altar. – Por que o senhor sorri? Perguntou ao monge. – Porque entendi o significado das bananas, disse o monge, abrindo a bolsa que carregava e tirando uma […]

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Um viajante resolveu passar algumas semanas num mosteiro do Nepal. Certa tarde, entrou num dos muitos templos do mosteiro e encontrou um monge sorrindo, sentado perto do altar.
– Por que o senhor sorri? Perguntou ao monge.
– Porque entendi o significado das bananas, disse o monge, abrindo a bolsa que carregava e tirando uma banana podre de dentro. – Esta é a vida que passou e não foi aproveitada no momento certo, agora é tarde demais. Em seguida, tirou da bolsa uma banana ainda verde. Mostrou-a, tornou a guardá-la e disse: – Esta é a vida que ainda não aconteceu, é preciso esperar o momento certo. Finalmente, pegou uma banana madura, descascou-a e, dividindo-a disse: – Este é o momento presente. Saiba vivê-lo sem medo.
No segundo domingo de Advento, encontramos João Batista “pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados”. O evangelista Lucas coloca este acontecimento numa determinada situação histórica, citando os nomes das autoridades do tempo, a começar pelo imperador romano até os sumos sacerdotes da época. Essa é uma primeira maneira para nos dizer que a nossa vida é feita de pessoas e acontecimentos limitados no tempo. Não adianta se refugiar no passado, que não volta mais, ou tentar fugir para um futuro que ainda não existe. Isso significa que cada um de nós deve enfrentar o seu presente com liberdade e responsabilidade, aprendendo a tomar decisões e, assim, dar um rumo sensato à própria vida.
Com efeito, deveríamos ter aprendido com os erros e os acertos do passado. Também já sabemos que, muito do que colheremos no futuro, depende daquilo que já semeamos ontem e daquilo que estamos semeando hoje. Evidentemente toda decisão de “conversão” da nossa vida é tomada no presente; no entanto ela foi preparada no passado e se sustenta somente se acreditarmos que é urgente mudar algo para que aconteça o melhor no futuro.
Na prática, essas são as grandes perguntas da vida que, antes ou depois, vamos ter que enfrentar se não quisermos desistir da nossa inteligência e humanidade: de onde viemos e para onde vamos. Se, por exemplo, temos medo de Deus, ou achamos inútil acreditar e confiar nele, nós mesmos poremos obstáculos – valas e montanhas – para afastá-lo e tirá-lo da nossa vida. Basta substitui-lo com qualquer um dos ídolos deste mundo para trilhar outros caminhos na vida em busca do sucesso, do dinheiro e do nosso exclusivo bem-estar. Ao contrário, talvez já percebemos que o sentido mais bonito da vida é outro. O que nos faz mais felizes é fazer o bem e gastar mais as nossas capacidades para sermos úteis aos nossos irmãos, praticando mais a fraternidade e menos o egoísmo e a indiferença. Essas são as montanhas mais altas, que devem ser rebaixadas , e os vales mais profundos, que devem ser aterrados para podermos encontrar e experimentar o amor a Deus e ao nosso próximo.
Na mensagem aos jovens do mundo inteiro, convocando-os para a Jornada Mundial da Juventude no Panamá, em janeiro de 2019, o Papa Francisco, chama tudo isso de “revolução do serviço”. Significa aprender a doar mais do que querer ganhar sempre, a ver as grandes necessidades dos outros mais do que as nossas, talvez, bem pequenas. Tudo isso é conversão. Muda muito ou… tudo, porque junto vai a visão que temos da sociedade, da política, do dinheiro, dos pobres e sofredores. Igualmente Deus Pai e seu Filho Jesus Cristo não serão mais ideias abstratas, mas alguém vivo que nos convoca para uma grande missão, que antes de transformar os outros, iluminará a nossa vida. A Igreja também não será mais uma organização qualquer, mas uma comunidade de irmãos que juntos enfrentam os mesmos desafios e travam as mesmas lutas contra o mal e a morte. Agora, qual foi a banana que nos fez refletir mais? Espero que seja a madura, doce e gostosa. Repartida. A verde, também, logo estará pronta. E a podre? Foram as chances de bem que desperdiçamos.


 
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