Círio 2020: com Maria, mãe da Vida, uma explosão de fé e alegria

Eu quero falar aqui daquela “alegria” que não pode faltar para ninguém, também se passamos por momentos difíceis e choramos a ausência de pessoas queridas no meio de nós. É a alegria de quem aprendeu a confiar no Senhor, a lembrar sempre do seu amor e a olhar além das circunstâncias imediatas.

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O Círio de Nossa Senhora de Nazaré, neste ano de pandemia, será diferente. Todos se perguntam: ficando em casa, na janela ou no portão, vendo as imagens passar, será um Círio mais triste? Depende de nós. Todos temos muitas maneiras para manifestar os nossos sentimentos, sobretudo quando nos sentimos bem e, dentro das nossas possibilidades, felizes. Alguns precisam pular, outros abraçar alguém, outros baterem palmas. Alguns podem exagerar na exterioridade, outros ficarão mais contidos. Eu quero falar aqui daquela “alegria” que não pode faltar para ninguém, também se passamos por momentos difíceis e choramos a ausência de pessoas queridas no meio de nós. É a alegria de quem aprendeu a confiar no Senhor, a lembrar sempre do seu amor e a olhar além das circunstâncias imediatas.

 

Maria nos ensina isso com simplicidade e coragem. Conhecia “as promessas”, sabia que Deus não podia falhar com seu povo escolhido. Todos e todas aguardavam o “Cristo”, o escolhido, o enviado. No entanto, ela não podia saber como tudo isso iria acontecer. Só podemos imaginar, nas palavras da Anunciação, a surpresa daquela jovem mulher, prometida em casamento a José, e chamada, naquele momento, a ser a mãe do Salvador, por ação, humanamente inexplicável, do Divino Espírito Santo. Na sua humildade, ela se sente indigna. Nem sabe nada, ainda, das alegrias e das provações que virão, mas não desiste, não volta atrás, enfrenta o desconhecido porque confia naquele que a chamou. Para que seu Filho fosse verdadeiramente humano – e não só divino – o Pai precisou de uma mãe escolhida, a “bendita entre as mulh eres&rdq uo;. Maria aceitou o desafio e, nunca mais haverá algo semelhante. Por isso, Nossa Senhora canta a sua alegria, dela e de todo pobre e excluído que, apesar de tudo, acredita que é amado por Aquele que está acima de tudo e de todos, Aquele que poderá não só reverter a seu favor situações injustas, mas, muito mais, com a sua presença fiel, o fará colaborador de um mundo novo, sem opressores e oprimidos, sem tronos a serem derrubados porque tudo será comunhão de paz e fraternidade. Quando? Como?

 

O caminho é longo, passa pela cruz do próprio Jesus, por todas as vidas doadas pela causa do Reino, mas os sinais da vitória já são visíveis e possíveis a serem realizados. A alegria do cristão nasce da certeza de que a “esperança” não pode ser um aguardar paciente, mas é sempre participação na construção de algo novo e melhor, mais humano e solidário. Por isso podemos chamar Maria, também mãe da Esperança, mãe da Vida Nova que o Cristo iniciou com a sua ressurreição. É esta a Vida prometida, a Vida que não morre mais para aqueles que acreditarem e seguirem a Jesus.

 

Com Papa Francisco, chamamos Maria “mãe de todas as criaturas” (Querida Amazônia 111) porque estamos vendo a Vida do nosso planeta, a nossa Casa Comum, sendo ameaçada. Junto com a floresta queimada, desaparecem plantas e animais, biomas inteiros destruídos pelo fogo, pela poluição, pela ganância de poucos. Os gritos de desespero e de alerta dos nossos irmãos, dos povos nativos da Amazônia, não são ouvidos. Se acreditamos na Vida, se acreditamos que toda a Criação é uma dádiva de Deus a toda a humanidade, não podemos ficar indiferentes, pensar só em interesses e resultados imediatos. Não somos os donos da Vida, somo administradores e disso teremos que prestar conta, um dia. Ou, talvez, esta conta já chegou e logo pagaremos as consequências. Tudo isso nos deixa tristes, mas Maria é também a Mãe da Alegria, que b rota do coração sincero de quem confia mais em Deus do que nas suas próprias forças. Nele está a fonte inesgotável da nossa fé, da esperança, do amor e de toda a alegria. Sabemos em quem acreditamos (2 Tim 1,12).


 
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