Que Igreja queremos ser?

Os participantes da Assembleia são o bispo, todos os padres presentes e atuantes na Diocese

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Neste final de semana, acontecerá no Centro de Pastoral e Cultura Dom José Maritano, em Macapá, a 22ª Assembleia Diocesana. É um momento importante para a nossa Diocese e marcará os rumos da nossa caminhada eclesial. Normalmente, a Assembleia acontece a cada quatro anos, acompanhando, quando possível, a frequência das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja (DGAE) propostas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Desta vez, porém, passaram-se cinco anos por causa do Congresso Eucarístico, realizado neste ano, e do Jubileu da Misericórdia. Sentimo-nos enriquecidos, também, pela experiência deste eventos.

Os participantes da Assembleia são o bispo, todos os padres presentes e atuantes na Diocese, os diáconos permanentes, alguns religiosos e religiosas representantes das respectivas comunidades, leigos e leigas representantes das paróquias, das pastorais, dos movimentos, dos grupos de serviço e das novas comunidades. Deveríamos chegar a cerca de trezentos participantes. O grupo mais numeroso será, justamente, dos leigos e das leigas que, de fato, formam a quase totalidade do Povo de Deus.

Para que serve uma Assembleia? Ela traça os rumos das principais vertentes da ação evangelizadora da Igreja: Palavra, Liturgia e Caridade. A Palavra se preocupa com a formação dos católicos desde as crianças, com a Iniciação Cristã, até a formação permanente de adultos. A Liturgia se interessa da participação ativa e consciente dos católicos nas celebrações litúrgicas, as Missas e os demais sacramentos. Por fim, a Caridade quer reunir e orientar todos aqueles e aquelas que se interessam das realidades sociais, da exclusão, da saúde, das atividades de promoção humana, da política . A Igreja não pode e não deve deixar de lado algo que seja verdadeiramente humano; a fé ilumina a vida e a vida dá testemunho da fé que afirmamos ter.

Uma Assembleia Diocesana é uma grande oportunidade para fazer um exercício real e singelo de comunhão e participação. O Povo de Deus é constituído por pessoas diferentes, com funções, ministérios e responsabilidades também diferentes. No entanto é fundamental nos conhecermos melhor uns aos outros, escutarmos mais e unirmos mais as forças. Hoje, o individualismo e o mundanismo – diria papa Francisco – entraram também na Igreja. Todos somos tentados a querer ser e fazer diferente dos outros. Buscamos algo que nos distinga em lugar de buscar o que nos una, acima e além das diversidades.

O mundanismo é a ambição de querer ser melhores do que os outros a qualquer custo, de não precisar da colaboração de ninguém e de ficar só se olhando no espelho, se autoelogiando e se vangloriando. É fácil entender que essas “tentações” estão à raiz de toda divisão, disputa, isolamento. Dessa maneira gastamos muitas forças e energias humanas e materiais pensando de conseguir anunciar o Evangelho de Jesus. Na realidade, quando o nosso povo participa de outra paróquia ou outro grupo se pergunta se somos a mesma Igreja, tão diferente é o jeito de rezar, cantar e pregar o Evangelho do mesmo Senhor Jesus. União não significa uniformidade, mas também nunca será alcançada se nos deixamos guiar pelas modas, os gostos e os caprichos pessoais. Os melhores frutos de uma Assembleia devem ser sempre a comunhão, a fraternidade e a alegria de caminharmos juntos. Além desse compromisso, o maior desafio, hoje, para a Igreja toda, não é saber e decidir o que fazer. Não somos uma empresa de eventos, tomada pela frenesi de um incansável ativismo. Talvez tenhamos até trabalhos demais. O mais difícil é saber como fazer as coisas, com liberdade e fidelidade. Livres para sermos criativos na organização, com um jeito novo de ir ao encontro das pessoas, mas, ao mesmo tempo, extremamente fiéis a um Senhor que privilegiou os pobres e os pequenos, que nunca se escondeu no Templo ou nas Sinagogas. Os seus momentos de oração, também aquele a sós com o Pai, sempre foram para tomar grandes decisões e aprender a acolher a todos a começar pelos pecadores.

Queremos ser uma Igreja unida, viva e fiel ao Senhor, consciente das própria limitações, que não busque alianças espúrias, vantagens ou privilégios indevidos, que seja corajosa na sua missão, saiba dialogar com todas as forças e as pessoas de boa vontade, no respeito pela vida humana, a natureza e as culturas. Queremos ser uma Igreja profética que rega aonde já foi semeado, mas não tenha medo de desbravar novas roças, para plantar alegria e esperança. Uma Igreja que olhe mais para fora de si do que para dentro, jovem, leve e generosa, sempre pronta a perdoar a todos e a corrigir as próprias rusgas e manchas. Bonita e resplandecente aos olho s dos pequenos e dos pobres, dos puros de coração e dos misericordiosos. A Igreja que Jesus quis.


 
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