Histórico sobre a região do rio Cassiporé

Pelo Tratado firmado entre Portugal e França, em 1700, a região compreendida entre os rios Araguary e Vivente Pinzon (Oiapoque), passou a ser considerada neutra ou contestada.

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Segundo Robert Harcourt, a região situada entre o rio Araguary (Arrawary) e o rio Cassiporé (Cassiporough), era comandada pelo cacique Anacaiuri, maioral dos Yaos, índios da etnia caraíba. Para o geógrafo Keimes (1656), a jurisdição de Anacaiuri se estendia desde o Amazonas até o Essequibo. Por volta de 1666, os Yaos tinham aí uma habitação bela e cultivada, onde viviam cerca quarenta indivíduos.

Pelo Tratado firmado entre Portugal e França, em 1700, a região compreendida entre os rios Araguary e Vivente Pinzon (Oiapoque), passou a ser considerada neutra ou contestada. O litígio seria resolvido através de arbitramento internacional confiado à Confederação Helvética (Suíça).

A França alegava que o Rio Vicente Pinzão era, ora o Araguary, ora o Cassiporé, ora o Amazonas. O Laudo de Berna foi exarado dia 1º de Dezembro de 1900, sustentando a tese brasileira de que o Vicente Pinzon ou Pinzão é o mesmo que os índios denominavam Oiapoque (casa de Oiapim). Cassiporé é um rio que se localiza no Estado do Amapá.

Tem cerca de 320 km de extensão, dos quais 80 são navegáveis. Na foz, a costa é baixa, não se avistando do largo, por detrás do mangal. Nesse rio a pororoca faz-se sentir. Deságua no Oceano Atlântico. Seu principal afluente é o Araporé, pela margem esquerda. Também é o nome de um cabo que é o extremo Nordeste do pontal leste da barra do rio do mesmo nome.

No fim do século XVI e durante o século XVII, o território contestado, entre a margem esquerda do rio Araguary e a margem direita do rio Oiapoque era conhecido como “Província do Aracari”, compreendendo três senhorias: Arawary (Araguary), Maycary (Mayacaré) e Cocshbery (cassiporé). Essa última se estendia até os confins da Província.

Em 1900, o contestado tinha dois centros populosos diferentes pela natureza de seus habitantes e pelo gênero da indústria e comércio: o Amapá e o Calçoene.Calçoene restringia-se ao rio deste nome, ao lado esquerdo da cachoeira Firmino, com população esparsa por regiões do Cassiporé, Tapiry, Jane e Tajinhy. O núcleo populacional ali existente era mais conhecido como vila Firmino.

Na vila do Espírito Santo do rio Amapá Pequeno ou simplesmente Amapá, viviam cerca de 4.000 pessoas, quase que exclusivamente brasileiros ocupadas com a pesca, criação de gado, extração da borracha e fabrico da farinha.

Em Calçoene a atividade principal era a extração de ouro. A população era formada por crioulos franceses e ingleses, com poucos brasileiros. Depois da incorporação do contestado ao Pará, a região foi denominada “Território do Aricari”, com limites entre o Araguary e Oiapoque compreendendo 2 circunscrições administrativas. A segunda circunscrição foi denominada Cassiporé, que se estendia do Mayacaré ao Oiapoque, tendo o povoado de Calçoene como sede.

A ocupação expressiva da região começou na fase posterior a Independência do Brasil, com migrações para Amapá, Calçoene, Cunani, Cassiporé, Uaçá, Arucauá e Curipi.Em 1894, a vila de Calçoene tinha cerca de 6.000 habitantes. Em 1895, a vila de Amapá era habitada por 600 brasileiros. Em Cunani moravam 284 brasileiros, em Cassiporé 120, em Uaçá 80, em Curipi 70 e em Urucará 80, todos são índios.

O rio Cassiporé, a partir de 1945, passou a ser o limite entre os municípios de Amapá (margem direita) e Oiapoque (margem esquerda). O fenômeno da pororoca é observado com mais intensidade no verão. VILA VELHA – situada à margem esquerda do rio Cassiporé é um povoado encaixado na Área de Proteção Ambiental de Vila Velha, fora do Parque Nacional do Cabo Orange e faz parte do Município de Oiapoque.

Há muito tempo explorou-se ouro no alto rio Cassiporé. O Último censo demográfico realizado em agosto de 1957, indicou haver em Vila Velha cerca de 250 almas. A Festa religiosa de maior vulto ocorre dia 19 de março, em louvor a São José, o padroeiro da Vila.


 
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