Paisagens de Macapá das décadas de 1930 e 1940

fotografia foi tirada do meio da avenida, no trecho que hoje corresponde a seu cruzamento com a Rua Vereador Benedito Uchoa. Pelo lado esquerdo de quem observa a imagem merece destaque o prédio da Intendência Municipal, onde atualmente funciona o Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva.

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Essa é uma das mais expressivas paisagens da cidade de Macapá da época em que ela ainda era a sede do município paraense de idêntica denominação. A rua em questão tinha como patrono o tenente e político Antônio de Siqueira Campos, paulista de Rio Claro que se notabilizou na Revolta do Forte de Copacabana em 1922, Levante de São Borja em 1924, Coluna Prestes entre 1924 e 1927 e na Conjuração da Revolução de 1930 que levou Getúlio Vargas ao cargo de presidente da República do Brasil. A Rua Siqueira Campos começava na Travessa Visconde de Souza Franco e se estendia até a Rua São José.

A fotografia foi tirada do meio da avenida, no trecho que hoje corresponde a seu cruzamento com a Rua Vereador Benedito Uchoa. Pelo lado esquerdo de quem observa a imagem merece destaque o prédio da Intendência Municipal, onde atualmente funciona o Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva. O imóvel foi construído na gestão do Intendente Municipal Coriolano Finéas Jucá e inaugurado no dia 15 de novembro de 1895. Antes dele vê-se uma casa residencial que pertenceu ao casal Antônio Topson e Emidia Picanço. Nela, já na fase de Macapá como capital do Território Federal do Amapá, funcionaram duas lojas: “A Barateira”, de Hamilton Henrique da Silva, piloto embretado pelo Aero Clube de Macapá, e a “Casa Olímpia”, vendedora de material esportivo, gerenciada por Raimundo Pessoa Borges, o popular Marituba. Ambos eram servidores públicos Pelo lado direito a referência fica por conta da famosa “casa amarela”, cujo proprietário foi o Tenente-coronel da Guarda Nacional Coriolano Finéas Jucá. Após sua morte, o prédio ficou sob gestão do filho Jacy Barata Jucá que o vendeu ao senhor José Pereira Montoril, mais conhecido como Cazuzinha. A casa amarela fazia fundos com o lote pertencente ao casal Leão Zagury e Sara Roffé Zagury.
Nele, estava instalada a Casa Leão do Norte e a residência de seus proprietários. No quintal, no inicio da década de 1950 foi instalada a fábrica do Flip Guaraná, um saboroso refrigerante que fez muito sucesso no Amapá.

Na casa amarela havia um pórtico de entrada com um sótão, um amplo pátio central, inúmeros quartos, cozinha, dispensa e poço amazônico. Os cômodos que faziam frente para a antiga Rua Independência, também chamada Rua de Cima, abrigaram, a partir de 1944, a sede do Amapá Clube e o Bar Elite, do senhor João Vieira de Assis. Logo na entrada do prédio funcionou o “Café Aymoré”, pertencente aos comerciante Francisco Torquato de Araújo (meu genitor) e Francisco Aymoré Batista (pai do cidadão que hoje mantém em funcionamento o estabelecimento de igual nome na Avenida Iracema Carvão Nunes). O gerente do Café Aymoré era o vigiense Carlos Cordeiro Gomes, o popular “Segura o Balde” que depois enveredou pelo jornalismo e integrou a equipe esportiva da Rádio Difusora de Macapá. No tempo que o prédio pertenceu ao meu tio Cazuzinha Montoril, uma senhora advinda da Guiana Francesa, que o povo identificava como madame Charlotte, alugou parte das instalações e nela instalou uma pensão. Vários jovens vindos de Belém, para trabalhar no Território do Amapá residiram nos quartos da casa amarela e compravam alimentação da madame Charlotte. Quando o casal Isnard Brandão e Walkiria Lima se mudou para Macapá, a casa amarela foi o primeiro imóvel que o abrigou. Numa deferência especial do tio Cazuzinha, graças à intermediação de meu pai Francisco Torquato de Araújo, um assoalho foi colocado no sótão.

Uma escada de madeira favorecia o acesso ao novo cômodo. Nesse local o casal Lima e o filho Isnard Brandão Filho moraram por um relativo período de tempo. A via publica que passava em frente a Casa Amarela tinha como patrono o Tenente Siqueira Campos, morto em 1930, quando da ocorrência do levante denominado “Os 18 do Forte”, no Rio de Janeiro.Depois da instalação do Território do Amapá ela mudou de nome duas vezes: Mendonça Furtado e Mário Cruz, o nome atual. A casa amarela foi vendida aos comerciantes Moisés Zagury e Isaac Zagury, que mandaram demoli-la, No local foi montada a oficina mecânica dos carros Ford que vendia. Atualmente, naquela área demora parte da loja 246.


 
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