O Araguari e sua força

Até agora não é transparente o caso da escada de rota migratória dos peixes e a indenização por esse prejuízo causado pela empresa hidrelétrica instalada no Araguari e, claro, pelo Ministério de Minas e Energia.

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Os rios cobram caro pelo importuno dos empreendimentos energéticos. Poderíamos dizer que foram apenas as chuvas, mas na verdade são vidas. A barragem do projeto hidrelétrico Caldeirão se rompeu, e o município de Ferreira Gomes virou um rio.

Até agora não é transparente o caso da escada de rota migratória dos peixes e a indenização por esse prejuízo causado pela empresa hidrelétrica instalada no Araguari e, claro, pelo Ministério de Minas e Energia. Na verdade, prejuízo esse impagável, e quanto aos benefícios para a comunidade de Ferreira Gomes, Porto Grande e entornos, terão direito a taxas mínimas de energia? E o Amapá? Terá energia suficiente para seu progresso na sua condição de reserva de energia para o Brasil? Cá entre nós, o povo não sabe de nada.

O meio político sabe tudo sobre licitações, propinas e aditivos e outras coisinhas mais. O povo fica a ver navios passando para o Porto de Santana e, pior, em silêncio, o silêncio da ignorância, como um dos mais antigos vaqueiros da região do Araguari que me afirmou que agora tudo melhorou. Ta nem aí pra pororoca, e eu achando que canto os sentimentos dessa gente.

Sim. Precisamos de energia e indústria, precisamos de crescimento econômico, mas precisamos saber como se faz para sermos beneficiados com energia mais barata, como bens sociais e culturais; precisamos manter a floresta em pé e ganhar pra isso. Não é assim com o crédito carbono? Somos índios, negros, caboclos e migrantes que amam esse pedaço de terra que é explorado desde o tempo de Marquês de Pombal. O Jari alaga, o Araguari alaga, o Oiapoque alaga. O mundo quer alagar, e ninguém calculou isso?

O pacto com a informação e a tal da transparência tem que começar agora. É para isso que servem também os veículos de comunicação e os comunicadores, e não pra fazer feijão com bastante jabá, dizendo que tudo está uma beleza. Agora pensemos em novas energias alternativas, e não permitamos venderem outro rio da gente. Pagamos caro por isso.

Agora canto uma canção para o arquipélago do Bailique que sofre de erosão, e para um velho catavento eólico na vila do Sucuriju, que sugere que o vento da Costa Norte pode nos trazer novas energias. Tenho esperanças que o Amapá um dia se transforme em um estado, de fato.

Bom domingo.


 
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