Não a nós, Senhor, não a nós!

A aliança de Deus com Israel é o tema central do Velho Testamento. O povo de Israel compreende a criação, a partir da aliança de Deus com eles. Embora a criação seja universal e aplicada a todos os povos, essa aliança não é exclusividade de uma casta, ela também tem caráter universal. A aliança com […]

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A aliança de Deus com Israel é o tema central do Velho Testamento. O povo de Israel compreende a criação, a partir da aliança de Deus com eles. Embora a criação seja universal e aplicada a todos os povos, essa aliança não é exclusividade de uma casta, ela também tem caráter universal. A aliança com Javé é o ponto de partida para Israel, que lhe permite compreender os fatos e os acontecimentos na sua história e na história do mundo. O povo de Israel é constituído no Êxodo e no cativeiro. Nesse ambiente hostil e de escravidão, a Aliança com Deus justifica todas as ações do povo. Nessa experiência com Deus, há uma busca pela compreensão do ser humano.

Portanto, é a aliança que lhe permite compreender também a criação. O Antigo Testamento, trata como ‘criação’ e ‘aliança’ se relacionam; assim sendo, de como interpretar essa relação.

• Uma é a clássica tese pela qual a aliança é o ‘pressuposto’ da criação: Deus cria o mundo para poder escolher um povo e firmar com ele uma aliança. É o destino de Israel, mas também o destino da Igreja.

• A outra é aquela que busca refletir sobre a criação como um dado em si, sem depender de outras questões.

O salmo 113 ‘B’, das Sagradas Escrituras, nos ajuda a entender como esse nosso Deus age conosco e merece nossa glorificação.

Ele é dividido em 113 ‘A’ e em 113 ‘B’ pela famosa tradução dos ‘setenta’ e a ‘vulgada’ de S. Jeronimo tinha de maneira errada unidos em um só salmo 113. No entanto, em hebraico os dois salmos são conferidos em 114 que é o 113 ‘A’ e o 115 que é o 113 ‘B’. Também esse salmo faz parte do ‘Aleluia pascal’ que acompanha a liturgia da Páscoa hebraica e das maiores solenidades do calendário de Israel. É um hino que combate a idolatria. Ele inicia como fosse uma homilia sobre o verdadeiro Deus, qual Criador e Senhor de tudo, que aposta na humanidade.

Logo em seguida vem a denúncia da idolatria, produzida pelo ser humano, que não tem futuro e é impotente: “Têm boca, mas não falam, olhos e não podem ver…” Depois disso, se concentra na bênção solene: “abençoará a casa de Israel, abençoará a casa de Aarão, abençoará os que temem ao Senhor, os pequenos como os grandes.” Essa bênção, em primeiro lugar à casa de Israel, isto é o inteiro povo na sua identidade de comunidade nacional e religiosa. Logo depois vem a casa de Arão que são os sacerdotes que guardam a Palavra de Deus e o Templo de Sião. E enfim se dirige aos fieis praticantes, os pobres do Senhor.

Portanto, é na casa de Israel, de Arão e dos fieis praticantes que desce a bênção de Deus. Essa bênção divina se caracteriza de geração em geração na fertilidade dos seus rebanhos e dos produtos da terra. Perante essa graça de Deus em favor do seu povo, dos seus escolhidos, vem a resposta dos fieis, que agradecem pelo dom da fertilidade e da vida como sinal da presença de Deus. Fieis que contemplam esta ação de graça do Senhor explodem de alegria e levantam o hino de louvor.


 
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