O Senhor é o meu pastor

assados os anos e com a rotina mais pesada, quais peregrinos sedentos de vida, sente-se a necessidade de invocar o próprio Criador no profundo do coração: ‘Senhor, me conduz pelos teus caminhos!’ A vida do ser humano é cheia de ameaças e perigos, e chega um certo ponto que se deseja, ardentemente, alguém para nos […]

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assados os anos e com a rotina mais pesada, quais peregrinos sedentos de vida, sente-se a necessidade de invocar o próprio Criador no profundo do coração: ‘Senhor, me conduz pelos teus caminhos!’ A vida do ser humano é cheia de ameaças e perigos, e chega um certo ponto que se deseja, ardentemente, alguém para nos conduzir, que nos acolha e nos dê segurança no caminho. O salmo 22 nos mostra quem é esse alguém. É o Senhor! Leia atentamente o que nos diz:
“O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Em verdes prados, ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes, restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos, ele me leva, por amor do seu nome. Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo. Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos. Derramais o perfume sobre minha cabeça, e transborda minha taça. A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me por todos os dias de minha vida. E habitarei na casa do Senhor por longos dias.”
É um hino de confiança destinado aos fieis. O salmo se ergue com duas colunas, uma é a do pastor e a outra é a dos hóspedes. E tudo isso tem como tema central, como referência a proclamação: “Tu estás comigo”. Esta confiança no ‘pastor’ quis demonstrar que não é simplesmente um guia ou um condutor que dá garantia de repouso em verdes prados. Mas é muito mais que isso. O pastor é, sim, alguém que caminha com o rebanho, experimenta a dureza da viagem, os riscos e as ameaças do percurso. O pastor compartilha passo a passo a vida do seu rebanho. Pega o mesmo sol e a mesma tempestade. Assim sendo, a Sagrada Escritura faz da simbologia do pastor uma maneira mais adequada por falar de Deus. Isto contrapondo, às vezes, aos reis e aos poderosos daquele tempo que se diziam também pastores. Mas, na verdade, não se comportavam com tal. Esses pastores dos seus povos, reis e poderosos, os desfrutavam, se enriqueciam às custas deles, até maltratando-os. Parece que isso tem alguma coisa a dizer também aos nossos dias. No entanto, esse Pastor, que é Deus, é justo e anda passo a passo com a gente. Compartilha e não explora a vida do seu povo. Deus é um pastor que faz de tudo para defender e promover o seu povo, e esta é a sua riqueza: que todos estejam bem e se sintam ‘seguros em suas mãos’. Não tenham medo! O nosso Deus, portanto, com seu bordão e o seu báculo, símbolos do poder da justiça e do pastoreio, garante-nos a verdadeira justiça e a segurança. O autor dessa oração demonstra serenidade em enfrentar as tempestades da vida, porque confia totalmente no seu pastor Deus que o acompanha pelos caminhos terrenos: “Pois estais comigo”. Podemos afirmar, nesse caso, que, para a Bíblia, a fé é confiança em Deus que conduz o fiel pelos seus caminhos. Mariazinha, assim a chamavam carinhosamente no seu bairro, o Guamá, foi uma mulher solteira que dedicou toda a sua vida a servir os mais pobres que ela. De fato, Mariazinha era muito pobre, mas ela conseguia enxergar que a sua vida era muito melhor que de tantos irmãos. Ela era também uma fiel servidora da Igreja. Todos os dias estava na igreja. Quando fui pároco na Santa Maria Goretti, ela me ajudava como ministra extraordinária da Eucaristia e cuidava e zelava da igreja. Era uma mulher muita magra e tinha a percepção de que não se alimentava direito, tanto é verdade que quis ajuda-la para que não lhe faltasse comida no prato todos os dias.
Um belo dia, vi que a Mariazinha faltava há uns três dias na igreja e então decidi ir a sua casa para saber o que ia acontecendo. Encontrei-a no fundo de uma rede, doente. As duas irmãs que estavam com ela me falaram que ela comia muito pouco e o resto da sua comida levava para umas famílias próximas, porque estavam sem nada. Eu chamei atenção a Mariazinha dizendo que ela é muito preciosa para igreja e, portanto, tinha que se alimentar direito, de outro jeito ficava doente. E ela me respondeu com uma voz bem fininha, mas com muita confiança: “Como posso pensar em mim quando tem irmãos que não tem nada? Tenho certeza que Deus não me abandona em ajudar os outros que tanto sofrem!”
Mariazinha me deu uma lição que a minha vida é conduzida por Deus e de não ter medo de arrisca-la pelos que mais precisam. Esta fé de um Deus ‘meu pastor’ me ajuda a enxergar as necessidades dos outros e não as minhas. Acreditar que a minha segurança não é resultado final das minhas estratégias, mas dessa fé em Deus. Assim posso proclamar: “O Senhor é o meu pastor!”


 
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