Wellington Silva

A genialidade musical de D. Pedro I


O grande legado de D. Pedro I (1798-1834), deixado ao Brasil, foi sem dúvida a proclamação da Independência, ocorrida em 1822, e a Constituição de 1824, historicamente considerada a primeira do país. Mas, a grande paixão do imperador brasileiro, além das mulheres, era a música, paixão despertada em sua adolescência. Tocava flauta, fagote, violoncelo, harpa e cravo. Além da música, teve aulas de pintura, arte que vez por outra também se dedicava.

Recentemente, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sob a regência do Maestro Fábio Mechetti, registrou em CD quatro importantes peças musicais compostas por D. Pedro I:

A primeira, por todos conhecida, é o Hino da Independência do Brasil, com sua tradicional abertura musical, letra de Evaristo da Veiga, e música de Pedro I. As outras peças, inéditas, e por muitos desconhecidas, são de cunho religioso:

“Credo” e “Te Deum”!

O importantíssimo registro histórico em CD será lançado em setembro em memorável comemoração do bicentenário da Independência do Brasil, com selo internacional da Naxos, em parceria com o Itamaraty.

A histórica gravação da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais contou com a participação da soprano Carla Cottini, da mezzo-soprano Luisa Francesconi, do tenor Cleyton Pulzi, do baixo-barítono Licio Bruno e de 40 vozes do coral Concentus Musicum, de Belo Horizonte, sob a direção de Iara Fricke Matte.

Influenciado pelo pré-classicismo, a chamada fase rococó, a obra do Imperador por vezes pode soar como Rossini, com um pequeno tempero de Mozart, considerados grandes gênios musicais influenciadores do período.

Foi numa manhã do dia 12 de outubro de 1.798 que Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim nascera, no Palácio Real de Queluz, em Portugal. No seu nascimento já recebera o prefixo honorífico de “Dom”. Morrera a 24 de setembro de 1.834, em Portugal, de tuberculose, após participar de batalhas vitoriosas contra forças absolutistas que a todo custo queriam o retorno da monarquia. Neste sentido, foi um defensor do ideário liberal, ou seja, o poder representativo político de estado com o seu parlamento, o poder executivo e o judiciário.

Ficou historicamente conhecido como o “Libertador do Brasil” após proclamar a sua Independência em 1.822.

A memorável 17ª sessão do Grande Oriente do Brasil, ocorrida no dia 04 de outubro de 1822, além de ser histórica, definitivamente sela o futuro do destino do povo brasileiro como nação ao aclamar D. Pedro I como Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, em substituição a José Bonifácio. A solene sessão maçônica, marcada com pompa e circunstância, foi presidida pelo Grão-Mestre Adjunto, o intelectual e jornalista Joaquim Gonçalves Ledo [Diderot].