A missão de Temer

Incrível como a mudança de uma peça no sofrível tabuleiro do xadrez político brasileiro pode sensivelmente mudar o cenário econômico. Sai a rainha e entra a torre, o presidente Michel Temer, e a bolsa e indicadores econômicos começam a apresentam sinais de melhora. Senhores, convenhamos, a situação de há muito já estava insuportável e insustentável […]

Compartilhe:

Incrível como a mudança de uma peça no sofrível tabuleiro do xadrez político brasileiro pode sensivelmente mudar o cenário econômico. Sai a rainha e entra a torre, o presidente Michel Temer, e a bolsa e indicadores econômicos começam a apresentam sinais de melhora.

Senhores, convenhamos, a situação de há muito já estava insuportável e insustentável para toda a sociedade brasileira. E é voz corrente no universo jurídico do planalto central do Brasil que o país não aguenta 180 dias de indefinição e insegurança institucional. Já se fala em 90 dias de prazo máximo para as conclusões finais do cansativo processo de impeachment.

O momento agora é de desafios e de pensar na construção de um futuro digno e melhor para o Brasil, que inspire confiança ao povo e à comunidade internacional. O golpe foi duríssimo nas finanças públicas e na economia nacional. Ele promoveu abalos sísmicos na economia mundial, vide por enquanto o escândalo da Petrobras.

O legado dessa vergonhosa forca: crise moral e econômica do estado brasileiro a custo muito caro a trabalhadores, aposentados, comércio, empresários e ao futuro de nossos jovens. Isso, sim, senhores e senhoras, é golpe! E não é uma facada qualquer. É um violento golpe à Constituição, à ética, aos bons costumes, ao desenvolvimento do país, a nossa credibilidade internacional, à decência na política. Isso, senhoras e senhores, foi um violento golpe na autoestima nacional!

Lojas e fábricas fecham e pais e mães de família, desesperados, vagueiam nas ruas à procura de emprego e chegam de mãos vazias em casa. Ligam a televisão e perplexos assistem a mais cenas do velho teatro político da corrupção. E o professor Eduardo Fagnani, do Instituto de Economia da Unicamp, alerta que “se não tivermos uma saída econômica para a nossa trajetória de desenvolvimento, nosso desenvolvimento social vai virar pó”.

Nunca é demais refletir que as democracias mais sólidas são parlamentaristas. Os grandes vultos históricos da política nacional eram defensores do parlamentarismo: Teotônio Vilela, Tancredo Neves, Leonel Brizola, Ulisses Guimarães, Mário Covas, Afonso Arinos.

No sistema parlamentarista qualquer ato grave de governo que atente contra a ordem constitucional imediatamente é objeto de impedimento. Seus provocadores e responsáveis maiores logo são afastados e depois destituídos do cargo público, pela maioria do parlamento, sem o típico protocolo do sistema presidencialista. Nesse sistema de governo democrático, o governo, assim como o parlamento, também podem ser destituídos, e logo é convocada eleição livre e direta.


 
Compartilhe: