Wellington Silva

Ainda estamos aqui!


 

O Brasil continua em polvorosa!

A merecidíssima indicação da atriz Fernanda Torres ao Globo de Ouro na categoria de melhor atriz em filme de drama, por sua interpretação no papel de Eunice Paiva, no filme brasileiro “Ainda estou aqui”, fez o país vibrar de emoção!

Sob a direção de Walter Salles e produção original do Globoplay, “Ainda estou aqui” é a história da vida real de Eunice Paiva em plena ditadura militar!

O drama de Eunice começa exatamente no momento em que agentes da ditadura “convidam” o Deputado Federal Rubens Paiva, seu esposo, (papel muito bem interpretado pelo ator brasileiro Selton Mello) para uma espécie de “entrevista de averiguações”. Ela vislumbra a cena da despedida da porta de sua casa, com o coração apertado, e, desde este dia, nunca mais o viu…

E assim Eunice passa 40 anos de sua vida em uma busca inglória e angustiante como advogada e mãe do escritor Marcelo Rubens Paiva para descobrir a verdade sobre o paradeiro de seu marido.

Fernanda Torres, filha da consagrada atriz brasileira Fernanda Montenegro, que é membro da Academia Brasileira de Letras, assim se manifestou em homenagem a sua mãe:

“Quero dedicar esse prêmio à minha mãe. Vocês não têm ideia… Ela estava aqui há 25 anos. Isso é uma prova de que a arte pode permanecer na vida das pessoas, mesmo em momentos difíceis, como os que Eunice Paiva viveu.”

Sobre o momento presente que estamos vivendo de radicalismos e de pensamentos e atos extremistas totalitários, Fernanda assim se expressou:

“Enquanto vemos tanto medo no mundo, esse filme nos ajudou a pensar em como sobreviver em tempos difíceis como esses”.

A atriz fez um merecido agradecimento a Walter Salles, diretor de “Ainda estou aqui” e “Central do Brasil”, e enfatizou em público o seguinte durante o ato de premiação:

“Que história, Walter!”

Formado em engenharia, Rubens Paiva foi eleito deputado federal em 1.962 pelo Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB. Após o golpe militar de 1.964, tem seu mandato cassado e se autoexila do Brasil, por medidas de segurança. Ao retornar ao país volta a exercer a atividade de engenharia e a cuidar de seus negócios, procurando também manter acesa a luta pelo processo de redemocratização nacional.

Em 1.971 agentes da ditadura prendem Rubens Paiva e entre 20 e 22 de janeiro de 1.971 ele é torturado e morto nas dependências de um quartel militar. Ano depois seu corpo é enterrado e desenterrado diversas vezes por agentes da repressão e depois jogado ao mar, em 1.973, na costa da cidade do Rio de Janeiro.

Eunice Paiva lutou bravamente durante longos anos para responsabilizar o estado brasileiro pela morte de seu esposo, uma brutalidade bestial e covarde praticada por um regime eminentemente totalitário.

A luta de Eunice Paiva é exatamente a luta de todos aqueles que lutaram e ainda lutam contra o totalitarismo. E o grito deve sempre ecoar uníssono:

Ainda estamos aqui!

 

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