Wellington Silva
Amadeu Lobato

Silêncio, pois as luzes da ribalta se apagaram!
Fechem as cortinas!
Façam momentos de silêncio!
O Grande Amadeu Lobato partiu para o mundo das estrelas!
O grande palco da vida está em prantos, pois todos fazemos parte deste grande elenco chamado “a vida é uma arte”!
É como canta nosso Querido e Genial Beto Guedes, na antológica composição de sua autoria, Canção do Novo Mundo:
“Quem sonhou
Só vale se já s
nhou demais
Vertente de muitas gerações
Gravado em nossos corações
Um nome se escreve fundo”!
Tive a honra de conhecer o grande Amadeu Lobato em meados dos anos 80, em movimentos culturais, mais especificamente durante a organização e realização do Movimento Artístico Popular do Amapá, o MOAP, movimento que tinha a liderança do decano da pintura amapaense, Raimundo Braga de Almeida/R.Peixe.
O MOAP na verdade era um congraçamento de produtores da arte amapaense, cada qual dentro de seu universo criativo nas artes plásticas, música, poesia, teatro, dança, artesanato e marabaixo, todos envolvidos em uma seleta programação cultural, anualmente, no final de dezembro.
Mas, Amadeu era único!
Era um contumaz estudioso da arte cênica, das formas de expressão, do gestual, a boa impostação da voz, iluminação, cenários, etc, numa época em que não se tinha disponível as tecnologias e recursos que hoje se dispõe.
Esta carência era sempre compensada com inteligência, muita criatividade, boa intuição e resiliência, tudo em nome da arte!
Nada escapava ao olhar clínico de Amadeu quando o assunto era a histórica e icônica peça Uma Cruz para Jesus, projeto cênico que por décadas seguidas já faz parte do Calendário Cultural da Semana Santa de Macapá.
Particularmente, vi este histórico e importante projeto cênico ganhar corpo e forma, em meados dos anos 80.
Uma das primeiras e mais significativas reuniões para a organização e realização da peça cênica Uma Cruz para Jesus ocorreu exatamente na casa de Mamãe, na garagem de casa, na presidente Vargas, 826, centro, tudo sob a natural liderança de Amadeu Lobato, ele sempre muito centrado e determinado em tudo o que fazia.
O mundo da arte amapaense esteve presente em seu velório e lá fizemos a ele as homenagens devidas, eu, Waldez, Geovani, Mourão e Paulinho Bastos no teclado, filho da patativa do Amapá, Oneide Bastos, e irmão da voz do Amapá, Patrícia Bastos.
Sua arte, seu pensamento, visão, inspirado no revolucionário Artoud, inaugurou uma fase pioneira da arte cênica, a céu aberto, bem ali ao lado da histórica Fortaleza de São José de Macapá, através da icônica peça Uma Cruz para Jesus.
Passam-se os anos, e esta icônica peça é tida e havida como uma verdadeira escola de teatro, sempre formando e preparando gerações e gerações…
Que os velhos amigos de arte Waldez, Geovani e Mourão jamais deixem a obra Uma Cruz para Jesus morrer!
Reúnam-se e unam-se sempre, em sua memória, para a continuidade permanente de tão importante obra cênica!
Meu amigo, você vai fazer grande falta!