Wellington Silva
Fronteiras Sangrentas, um roteiro cinematográfico

Não é a primeira vez e nem será a última que prazerosamente escrevo sobre a antológica obra de Silvio Meira, Fronteiras Sangrentas, um fantástico roteiro cinematográfico que deve ser lido por todos os nossos representantes eleitos, e amapaenses, no geral.
Publicada em 1.975, com o apoio do Conselho Estadual de Cultura do Pará, composta e impressa na Editora Gráfica Luna Ltda, Fronteiras Sangrentas possui interessante roteiro histórico baseado em documentos, jornais da época, com fatos relevantes sobre a histórica questão do Contestado, desde o começo do começo, quando os irmãos Germano e Firmino, após longas caminhadas, selva adentro, descobrem ouro, na região do Calçoene.
Após a rica descoberta dos irmãos Germano e Firmino, que extraíram bastante o rico metal precioso, a notícia rapidamente se espalha no norte e nordeste do Brasil e na Guiana.
Em 1.895, mais de mil pessoas já habitavam o curso do rio Calçoene. Eram aventureiros vindos de Caiena, Guiana Francesa, tais como Clement Tamba, e diversos brasileiros oriundos das regiões norte e nordeste. Logo todos passam a disputar metro a metro a rica região aurífera.
Os franceses insistiam em interpretações equivocadas sobre limite territorial, com certeza, com a clara intenção de expandir seu domínio territorial dentro de terras brasileiras.
A motivação principal?
A ambição pelas reservas de ouro!
Trajano, um brasileiro mercenário e entreguista, representante de Charvein, delegado do governo francês em Caiena, é preso pelo Governo do Triunvirato na Vila do Amapá. Imediatamente, Charvein determina o envio de legionários mercenários, fortemente armados, para prender Cabralzinho. Inesperadamente, a corveta francesa Bengali aporta em solo brasileiro, e dela salta o capitão Lunier, para dar voz de prisão a Cabralzinho, isso no dia 15 de maio de 1.895. Cabralzinho reage ao inimigo e o mata, tendo o mesmo destino um tenente e um sargento.
A resistência brasileira consegue deter o invasor até o esgotamento da munição.
Ocorre que a grande superioridade numérica bem como a capacidade bélica dos franceses é bem maior e muito ofensiva. Etiènne, porta-bandeira francês, embora ferido no rosto, porém irado, ordena que toquem fogo nas casas, saqueiem o comércio e matem a todos. Mulheres, velhos e crianças não são poupados e são mortos sem dó e nem piedade. Logo, a notícia chega em Belém e é amplamente divulgada em detalhes, no jornal Diário de Notícias, através de seu diretor, Felipe José de Lima, veículo de comunicação do Partido Republicano Democrata. No informativo consta o nome e idade de cada vítima e a forma brutal como fora assassinada.
A histórica questão do Contestado (regiões do Amapá e Calçoene) só fora definitivamente resolvida, em 1.900, com o Laudo de Berna, na Suíça, sendo Barão do Rio Branco o grande protagonista a realizar brilhante defesa em favor do Brasil. Sua tese teve como base principal de defesa a cartografia, um mapa francês em que se registra o direito do Brasil à margem esquerda do rio Amazonas; o Tratado de Utrecht, de 11 de abril de 1.713, e principalmente, a antológica obra L’Oyapoc et L’Amazone (1.891), do grande pesquisador e geógrafo brasileiro, Joaquim Caetano da Silva.