Wellington Silva
Maquiavel, mais atual que nunca!

Em sua histórica e fantástica obra O Príncipe, Maquiavel dedica boa parte de sua análise sobre a figura do mercenário, aquela figura que sempre aluga seus serviços para quem pagar mais. E é aí, que mora, o perigo!
Até que ponto se pode confiar em alguém que não tem lado, não tem princípios, ética, honra, bandeira, ideais a defender?
É um risco que alguns se aventuram para mais na frente colher a decepção de seu erro!
Mais atual que nunca, Maquiavel em dado momento enaltece a figura de Davi, que se oferece a Saul para lutar contra o gigante Golias. Um filisteu provocador oferta uma armadura para Davi, e este recusa, enfrentando vitoriosamente o inimigo apenas com sua funda e faca.
Analisando este histórico e importante momento alegórico do Velho Testamento, Nicolau Maquiavel comenta o seguinte:
“As armas de outrem, ou te caem de cima, ou te pesam ou te constrangem”.
O que o grande Mestre quis exatamente dizer com isso?
Use as suas próprias armas de forma inteligente, sempre com muita prudência, bom senso de observação, analisando cuidadosamente todo o cenário ao seu redor.
Voltando a figura central do mercenário o ilustre pensador enfatiza para o simples fato de que “com estes a ruína é certa”.
Na sua avaliação pessoal os mercenários quase sempre te prejudicam após a vitória, pois são covardes e traiçoeiros.
O Mestre vai mais longe em seu comentário, e alerta para o seguinte:
“Os mercenários são inúteis e perigosos, e se alguém tem o seu Estado apoiado por mercenários jamais estará firme e seguro, porque eles são desunidos, ambiciosos, indisciplinados, infiéis; galhardos entre amigos, vis entre os inimigos. Não tem temor a Deus e não tem fé nos homens. Não tem outro amor nem outra razão que os mantenha em campo a não ser um pouco de soldo, o qual não é o suficiente para fazer com que morram por ti”.
Entenderam?
A dura lição que Maquiavel nos apresenta desnuda exatamente a natureza humana sem princípios, ou seja, uma natureza falsa, oportunista, rasteira, vil, covarde, e por aí vai…
No Brasil do presente temos as chamadas legendas políticas de aluguel e políticos de aluguel que todo mundo sabe e os círculos de poder bem conhecem, mas, teimam em conviver com eles por simples questões de acordos de conveniências pessoais, mesmo sabendo que, no frigir dos ovos, podem ser inevitavelmente traídos!
O ditador Vladimir Putin não foi traído pelo famoso grupo mercenário Wagner, e seus líderes depois não sofreram um “acidente aéreo” até hoje muito suspeito e mal explicado?
Portanto, a figura de má reputação do mercenário não vem de hoje. Ela advém de tempos idos, pois, afinal de contas, como confiar em alguém que não tem lado, bandeira, ideal, e pula mais que sapo em lago habitado por jacarés e sucuris?