Wellington Silva
“Memórias” do capitão

Em 1.987, o hoje Capitão Cloroquina, Capitão Covid ou Capitão Mortalha, como queiram, não recebeu o seu diploma de formatura da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais – EsAO porque foi acusado e condenado por arquitetar um maluco e absurdo plano de plantar bombas em quartéis do Exército como forma de protesto contra os baixos salários.
O processo, aberto no Conselho de Justificação, foi pessoalmente acompanhado pelo Ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves, que desejava o imediato desligamento do réu, da corporação, “por faltar com a verdade”, conforme sua avaliação pessoal constada nos autos.
De acordo com a obra intitulada “O cadete e o Capitão”, de autoria do jornalista Luiz Maklouf Carvalho, o capitão golpista conseguiu concluir seus créditos para se formar como oficial de artilharia na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais – EsAO com nota 7,68. Sua notória impulsividade a cometer atos absurdos acabou rolando ladeira abaixo o seu processo de formatura, em 1.987.
Na época do julgamento o réu negou veemente – “mente” que tivesse produzido os tais croquis da bomba, conforme publicado na Revista Veja, e ainda por cima ameaçou a jornalista que produziu a reportagem/denúncia.
E o resultado da decisão do Superior Tribunal Militar, em 1.987?
Bom, neste ano, o réu foi expulso, de acordo com decisão do próprio Tribunal Militar.
No dia 28 de novembro de 2018 o “ex-réu” acabara de ser eleito como autoridade máxima da “nação brasilis”, e tomaria posse dentro de um mês. E lá estava ele, de pé, em uma sala da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, terno preto e gravata cinza, não mais como réu, mas como “autoridade máxima”, cercado de aduladores de todos os naipes…
E foi neste dia, por “força das circunstâncias” e das “conveniências políticas”, que finalmente o “Capitão” receberia o documento que o consagraria como Capitão do Exército, embora com o agravante da dúvida de suas malucas e absurdas atitudes, arquitetadas em 1.987.