Wellington Silva
O petróleo é nosso!

Criada no dia 03 de outubro de 1953, em plena era Vargas, a Petróleo Brasileiro S.A. Petrobrás surgiu com o lema “ O petróleo é nosso”, lema idealizado pelo presidente Getúlio Vargas como forma de propaganda política e institucional em defesa do que obviamente e naturalmente seria e até hoje ainda é, patrimônio natural brasileiro.
Considerada como uma empresa de capital aberto (sociedade anônima), onde a figura do acionista majoritário é o governo federal, a União, com sede no Rio de Janeiro, ela ainda atua em 14 países nas atividades de exploração, produção, refino, comercialização e transporte de petróleo, gás natural e derivados.
Mas, a grande pergunta que muitos brasileiros fazem é:
Como o Brasil, a Petrobrás, desde os anos 50, aqui, sendo uma grande empresa exploradora de petróleo em águas profundas, liderança mundial voltada ao desenvolvimento de avançadas tecnologias para exploração do ouro negro (petróleo) em grandes profundidades, proprietária de diversas refinarias, petroleiros e dona de grandes plataformas de exploração não consegue ou não cria uma política razoável de preços para a grande demanda interna da população brasileira que urgentemente necessita de uma gasolina, diesel e gás mais barato?
A resposta, pode estar na antológica canção de Caetano Veloso:
De muito o povo brasileiro é vítima de uma velha política entreguista “do avesso, do avesso, do avesso…”
Tradução:
Primeiro os de fora! As sobras ficam para os de casa!
É tipo aquele festeiro que para impressionar na festa procura fazer o possível e o impossível para agradar os convivas, ignorando completamente a turma de casa. Dias depois, o bolso esvazia, a barriga aperta e ronca e a “porca torce o rabo”.
Entenda-se, a Petrobrás décadas atrás adotou uma política de exportação de produção de petróleo e gás e ignorou demandas e necessidades internas da nação. Hoje, obviamente tem como objetivo central aumentar volume$ de lucratividade.
E o povo?
Bom, o povo brasileiro, neste cenário atual de lucros e dividendos, é só um pequeno detalhe!
No final das contas, o Brasil acaba comprando do exterior um combustível caro, a doer consideravelmente o bolso do consumidor.
Mas, um momento, uma questão de Ordem:
Nossa Constituição, em seu Título I, Dos Princípios Fundamentais, Artigo 1º, diz textualmente que a República Federativa do Brasil é um Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos a soberania, onde todo poder emana do povo que o exerce por meio de representantes eleitos. O artigo 3º expressa que constituem objetivos fundamentais da República garantir o desenvolvimento nacional e erradicar a pobreza, marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.
Belas palavras, belas palavras…
Com toda certeza, a grande questão histórica brasileira é que enquanto americanos, europeus e asiáticos historicamente são extremamente protecionistas com suas riquezas naturais, o Brasil é exatamente o inverso, lamentavelmente…
Entre 2004 e 2012, a perda de dinheiro causada pela grande onda de corrupção na Petrobrás foi estimada em 6,194 bilhões de reais. Em 2015 a empresa registrou um prejuízo de 34,8 bilhões de reais. A queda do preço do barril do petróleo no mercado mundial, somada a crise moral e econômica do país, abalaram a economia brasileira e a de outros países.
Refletir e mudar é preciso, antes que todos afundemos!