Wellington Silva

R. Negrão


 

Nunca é demais falar de um grande artista como R. Negrão, principalmente quando de longas datas figura uma velha amizade advinda de grandes movimentos culturais, nos anos 80, tais como o Movimento Artístico Popular do Amapá, o MOAP, Movimento sob a liderança do saudoso decano da pintura amapaense, Raimundo Braga de Almeida/R. Peixe.

Tive a honra de conhecer R. Negrão em meados dos anos 80, mais precisamente em 1.984, quando organizávamos o Movimento Artístico Popular do Amapá na tradicional Praça da Bandeira.

  1. Negrão era um homem extremamente simples, preocupado com seu tempo e sempre focado em sua arte. Seu desencarne foi uma grande perda para mim e para os amantes das artes plásticas assim como a do grande amigo artista plástico Gibran Santana.

De uns tempos para cá, como evoluiu bastante a arte plástica de R. Negrão!

Vi um artista muito mais amadurecido em seu tempo, consciente do seu papel de divulgador da Mãe Natureza amazônica, do cotidiano tucuju, de nossas tradições, história, costumes, nosso Marabaixo, a profissão de fé e os notáveis traços de nosso povo, nossa terra, nossa gente…

Criativo, o artista navega com sua arte pelo expressionismo, surrealismo, e abstracionismo envolto em temáticas quase sempre focadas no naturalismo regional.

Deu de presente ao nosso Professor do Rádio, Luís Melo, um belíssimo painel em óleo sobre tela onde figura Nossa Senhora ladeada de querubins.

O belíssimo painel logo pode ser visto ao subir as escadas do Diário do Amapá.

Sendo um homem de fé, certa feita me chamou a atenção uma provocativa obra por ele criada. Nela figurava, brilhante e radiosa, a Gloriosa Escada de Jacó com os seguintes dizeres: Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Notei um espelho propositalmente e estrategicamente posicionado no último degrau, final da escada.

Pergunto:

O que R. Negrão queria dizer, ou melhor, qual seria a mensagem?

Talvez seja, conhece-te a ti mesmo, ao olharmos a nossa “careta” no espelho. E Mais: Bateis e sereis atendido, pedis e recebereis, buscai e encontrareis. Traduzindo: A cada um segundo suas obras!

Algumas de suas telas mostram também belíssimas negras, de curvas sensuais, quase vivas, mostrando uma beleza típica advinda da genética natural e histórica de nossa gente.

A Fortaleza de São José de Macapá também já foi retratada de diversos ângulos assim como a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, localizada no bairro do Trem, ambiente cultural onde o artista fora criado.

Vale destacar a histórica crítica do Professor Fernando Medeiros, datada de 21 de agosto de 1.980:

“R. Negrão foi estudante do Curso de Saúde do Colégio Amapaense, no Centro Interescolar, hoje Graziela Reis de Souza. Desde criança se dedica a arte de pintar. Foi durante o curso primário que recebeu seu primeiro incentivo para o desenvolvimento de sua arte após obter a melhor nota em desenho. E é o que faz até hoje, desenvolver o potencial de sua arte”.        

 

************************************