Wellington Silva
Reflexões e verdades sobre o carnaval

Feliz pela vitória da Escola de Samba Boêmios do Laguinho, em Macapá, ela que apresentou belíssimo carnaval através de interessante tema para reflexão sobre Sodoma e Gomorra – do pecado a redenção, cidades que foram tomadas pela ira de Deus, por caírem em pecado, isso, de acordo com os textos sagrados.
Aliás, o resultado do julgamento das escolas de samba da cidade foi justo, justíssimo, com Boêmios do Laguinho em primeiro lugar, Império do Povo em segundo e Maracatu da Favela em terceiro.
O que não foi justo foi o que fizeram com a Escola de Samba Império do Povo, creio que “sem querer querendo”, ao posicionar carro alegórico para atrapalhar a passagem da agremiação carnavalesca. Mas, mesmo assim, a Império do Povo apresentou um excelente carnaval, com alas e alegorias impecáveis.
Em contrapartida, parece que algumas escolas de samba não evoluem e ainda apresentam problemas internos, como é o caso da Escola de Samba Solidariedade, com uma administração perpétua, desde 2013.
Ainda em Macapá, determinada escola de samba, rebaixada, apresentou um samba-enredo pretencioso e arrogante, com ares de supremacia. Suas alas e alegorias muito deixaram a desejar. Faltou humildade, criatividade e inovação!
Nos anos 90, o saudoso decano da pintura amapaense, o carnavalesco R. Peixe, já dizia que para o carnaval do Amapá evoluir tinha de pesquisar as escolas de samba tradicionais do carnaval carioca tais como a Mangueira, Portela, Salgueiro e Beija-Flor, por exemplo.
É R. Peixe, hoje, mais atual que nunca!
E é bom o pessoal daqui deixar de lado esse negócio de águia da Portela e de cobra e exaltarem os nossos guarás, as jaguatiricas, onças, tucanos, garças, belezas naturais divinas tão típicas do Amapá, tão típicas da Amazônia.
Respeito o julgamento dos jurados do carnaval carioca, o maior espetáculo da terra, mas, convenhamos, a bem da verdade, existe um abismo de diferença histórica e cultural entre Mestre Sacaca e Mestre Ciça, entre Lula e Mestre Ciça, entre Carolina Maria de Jesus e Mestre Ciça. Além do mais, a Mangueira ganhou estandarte de ouro na categoria Mestre Sala e Porta Bandeira, e, portanto, não merecia notas tão injustas.
Evidentemente, Sacaca, Lula e Carolina Maria de Jesus deixam um grande legado histórico e cultural para o Brasil e o mundo.
O extraordinário conteúdo mostrado pela Mangueira na Sapucaí, sobre Mestre Sacaca, supera em muito o que a Viradouro mostrou. Se Mestre Ciça foi mestre de bateria, Sacaca inovou criando artesanalmente excelentes instrumentos de percussão. Por mais de 20 anos foi Rei Momo do carnaval amapaense. Foi Professor de Técnicas Agrícolas e raizeiro, o nosso doutor da floresta.
Para quem não sabe, principalmente os cariocas, foi Mestre Sacaca que mostrou ao cientista Waldomiro Gomes as aplicações e efeitos das plantas, ervas e raízes medicinais da Amazônia, conteúdos científicos divulgados mundo afora pelo ilustre e conhecido cientista.
Não é à toa que existe um museu no Amapá com o seu nome, o Museu Sacaca, contendo cenários naturais, históricos e estudos científicos sobre nossa tão querida e muito bem preservada região.
Portanto, Waldomiro Gomes não seria nada sem Sacaca assim como Ney Mato Grosso não seria nada sem o músico, cantor, compositor, poeta e arranjador João Ricardo, o grande cérebro dos Secos & Molhados.
Se, por um lado, o tal julgamento do “carná” carioca foi técnico, por outro, ele foi muito injusto, isso se olharmos o riquíssimo conteúdo histórico e cultural mostrado pela Mangueira sobre Sacaca, repetimos!
Quanto a Viradouro, neste particular, ela deixou muito a desejar em sua temática!
É isso aí!