Wellington Silva

Reflexões sobre a tragédia em Petrópolis


A tragédia ocorrida em Petrópolis, Rio de Janeiro, assim como outras já ocorridas, novamente acende o sinal de alerta para o seguinte questionamento:

Mesmo e apesar da força da natureza com suas fortes chuvas e erosões ocorridas em outras regiões do país, além de Petrópolis, tais tragédias poderiam ser evitadas ou seus impactos poderiam ser sensivelmente diminuídos?

Eu particularmente acredito que sim se os governos federal, estaduais, municipais e sociedade civil no geral associassem o tão prático e necessário exercício da educação, da ciência, das simples tecnologias e da inovação no ato de fazer a coisa certa no momento certo e não depois da tragédia ocorrida.

E mais uma vez e novamente digo que temos de reaprender com os povos da Idade Média e dos séculos XVII e XVIII, os grandes construtores de obras para a posteridade. Hoje, em pleno Século XXI, ano 2022, a humanidade dispõe e é usuária de importantes avanços tecnológicos, mas de muito deixa a desejar dos povos antigos quando o assunto em questão é realmente observar os importantes fenômenos cíclicos da Mãe Natureza.

O tempo passa, muitas décadas passam, e todos os castelos, antigos mosteiros, templos budistas, templos tibetanos, alguns inteligentemente erguidos em montes ou montanhas, assim como algumas igrejas, estão lá, sempre imponentes, resistentes ao tempo, assim como a pirâmide de Gizé.

E por que isso ocorre?

Primeiro, porque os povos da Idade Média e dos séculos XVII e XVIII estudavam cuidadosamente a geografia da região, sua topografia, solo, clima, tábuas das marés, etc, para depois aprovar ou não o local de construção escolhido por nobres, reis, príncipes ou pelo clero, observações óbvias que muitos atualmente deixaram de fazer por descuido, descaso, desleixo ou pura ignorância mesmo.

É pura teimosia você continuar a insistir em residir em uma área que sabe perfeitamente que é área de cheia anual de maré ou área de solo instável com sério risco de desmoronamento. Pior ainda é o poder público construir ou autorizar construção de moradias ou de prédios em áreas de solo instável ou de grandes oscilações observadas nas tábuas de maré.

Mas, nem tudo está perdido, e são justamente crianças brasileiras, orientadas por iluminados professores, que decidiram disseminar em Petrópolis a simples ciência inovadora de construção do pluviômetro, equipamento que tem a capacidade de medir a intensidade das chuvas.

Utilizando uma garrafa PET, e levando-se em consideração seus relevos de fundo e nele colocando bolinhas de gude (petecas) ou brita, pode-se conseguir calibração para regulação do nível com o uso de uma régua de 30 centímetros. A medição é feita com até 150 mm de água de chuva acumulada.

Portanto, os materiais são bem simples e o custo é baixíssimo!

Já imaginaram este simples e fantástico invento sendo disseminado em todo o Brasil, nas escolas, nos bairros, principalmente em regiões com áreas consideradas de risco como em Petrópolis e Minas Gerais?

Quanta coisa ruim não seria evitada!

Deus continue a abençoar nossas inventivas crianças e nossos iluminados Mestres!

Assim seja!