Wellington Silva
Rio, violência, vidas amargas

Imagine você como deve ser a vida de uma criança favelada?
Imagine seus pais, quando tem sorte e oportunidade, trabalhando o dia todo, a mãe empregada doméstica, caixa de supermercado, ou balconista, e o pai, mecânico, pedreiro em uma obra qualquer, porteiro ou motorista.
Imagine agora tal criança criada na rua, por vezes pela casa de algum bom vizinho, enquanto os pais chegam, tarde da noite, cansados do trabalho.
Imagine agora coisa pior, outra criança, amiga da primeira, filho de pai e mãe desempregados, o pai alcóolatra, a mãe viciada, ambos já envolvidos em ilícitos, a alma corrompida no erro, a mente entorpecida para esconder a dor dos desencantos, tudo junto e misturado em um ambiente de agressividade, balas, mortes encomendadas, o terror comandando diariamente a vida cansada, sofrida e desalentada de todos.
Você com certeza diria que isto é um verdadeiro inferno!
Pois é exatamente este inferno da vida real que parte da vida cotidiana do Rio de Janeiro se tornou!
São ambientes sem lei onde a loucura, o tráfico, a droga ilícita e armas pesadas compõe a triste arte cênica da vida real das favelas.
São cenários antigos que aos poucos e ultimamente vem tomando proporções alarmantes contra tudo aquilo que se entende como vida decente e civilizada.
Autoridades estaduais e federais se debruçam em busca de alternativas para tentar conter o que de muito já vem se agigantando como um grande espectro do mal.
Mas, a grande pergunta que não quer calar é a seguinte:
O que fazer?
Os grandes manuais de guerra ensinam que para se ganhar uma batalha e depois uma guerra é preciso cortar a cabeça da cobra e o chocalho, ou seja, descobrir e depois tentar pegar seus comandantes, generais, a grande cúpula pensante, e principalmente, descobrir e depois tentar pegar todas as fontes de financiamento, quer sejam internas ou externas, políticas e executivas.
Este trabalho de inteligência requer o refino de informações entre as forças de segurança, Polícia Federal, polícias estaduais e municipais, documentando e mapeando todo este conjunto necessário de informações.
Sem isso será o mesmo que você se deparar com o inimigo e avançar e recuar, avançar e recuar, sem ter ao menos o mínimo conhecimento de toda a orquestração que está por detrás, quem são os caciques da tribo, e quais são os elementos possíveis para desmontar e prender a tudo e a todos, eliminando por completo este grande espectro do mal.
Na situação atual que se encontra o Rio de Janeiro somente com uma inteligente cadeia de informações se conseguirá vitórias.