Cleber Barbosa

Escala do açaí


 

Produtores de açaí e manejadores de floresta no interior do Amapá enxergam novas dinâmicas. O cooperativismo, forte no estado, pode se beneficiar se conseguir organizar mutirões de trabalho. No entanto, equilibrar o processamento do fruto, que não espera, com as folgas adicionais exigirá uma logística cirúrgica.

 

Comércio

Empresários do varejo de Macapá avaliam que o fim da escala 6×1 pode encarecer a folha. Contudo, defensores da medida dizem que os incentivos da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana (ALCMS), alinhados à Zona Franca, dão fôlego fiscal único para as lojas locais reorganizarem turnos sem repassar o custo total ao consumidor amapaense.

 

Turismo

Para os trabalhadores de hotéis e restaurantes, a folha extra trará dignidade. Poder curtir o fim de semana com a família na orla do Rio Amazonas ou visitar o Monumento do Marco Zero não será mais um privilégio raro. O amapaense poderá então ganhar mais tempo para viver sua própria terra e movimentar a economia do lazer local.

 

Santana

Setores fabris alimentícios de Santana temem o impacto produtivo da nova jornada. Mesmo com a isenção de IPI e redução de ICMS garantidas pelos incentivos fiscais do estado, a necessidade de contratar mais mão de obra para cobrir o novo dia de folga preocupa pequenas indústrias, que operam com margens estreitas.

 

Cultura

A comunidade do Curiaú, localizada nos arredores da capital Macapá, e os brincantes de Marabaixo veem o fim da 6×1 como uma vitória da identidade cultural.
Com dois dias de folga, o trabalhador que antes vivia exausto poderá festejar o ciclo do Marabaixo e manter as tradições vivas. Menos tempo no balcão significa mais espaço para resgatar a ancestralidade.

 

Tempo para estudar

Trabalhadores que buscam cursar uma faculdade na Unifap ou na Ueap comemoram.
Sair da rotina massacrante de seis dias semanais abre espaço real para os jovens amapaenses investirem em estudo e qualificação profissional.
O mercado do Amapá ganha a longo prazo, com profissionais mais instruídos e motivados.

 

AS ÚLTIMAS

VIÉS – O funcionalismo dita o ritmo econômico. A transição para o fim da jornada 6×1 na iniciativa privada pode nivelar o mercado local. Servidores acreditam que a mudança reduzirá o abismo de bem-estar entre quem atua no setor público e os comerciários, humanizando as relações.

RODOVIÁRIOS – Empresas de transporte rodoviário e logística que interligam os municípios amapaenses preveem desafios operacionais severos. Ajustar as rotas de cargas para as regiões mais distantes, como Oiapoque, exigirá mais motoristas em escala. O custo tende a subir, avaliam.

RECORTE – ONGs e cooperativas de saúde no Amapá alertam para a exaustão física do modelo 6×1. Profissionais de apoio de instituições filantrópicas terão mais descanso, reduzindo os afastamentos médicos. O grande desafio do setor será financiar novos postos de trabalho para manter os atendimentos contínuos.

ELAS – Mulheres que lideram pequenos negócios de estética e confecção em Macapá buscam alternativas. As vantagens fiscais locais ajudam na compra de insumos, mas a gestão de pessoal ficará complexa. Flexibilizar horários de atendimento será o caminho para reter talentos sem sufocar as receitas.

 

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