85% das gestantes de alto risco chegam sem pré-natal adequado à Mãe Luzia
Ausência ou acompanhamento inadequado do pré-natal aumenta o risco de complicações e internações

O Hospital da Mulher Mãe Luzia (HMML), referência em assistência obstétrica no Amapá, registra um cenário preocupante: cerca de 85% das gestantes encaminhadas ao serviço de alto risco chegam sem o pré-natal adequado, muitas vezes já com complicações que poderiam ter sido identificadas e tratadas precocemente.
Nos últimos dias, a maternidade observou aumento nas internações de gestantes de alto risco, principalmente por infecção urinária, diabetes gestacional descompensada e hipertensão arterial. Nesta quarta-feira (15), 42 gestantes estavam em atendimento no setor.
Segundo a diretora do HMML, Cristiani Barros, grande parte desses casos poderia ser evitada com o início precoce do acompanhamento.
“Gravidez não é doença, mas pode se tornar uma condição grave quando não há acompanhamento adequado. Temos recebido muitas mulheres com infecção urinária, diabetes gestacional e pressão alta, situações que poderiam ser identificadas no início da gestação. O pré-natal é essencial para prevenir complicações e garantir mais segurança para mãe e bebê”, afirma.
O Ministério da Saúde recomenda que o pré-natal seja iniciado logo após a confirmação da gravidez. Além das consultas periódicas, o acompanhamento inclui exames, avaliações clínicas e orientações sobre alimentação, atividade física e outros cuidados necessários durante a gestação.
Nas gestações de alto risco, o monitoramento permite identificar precocemente doenças que podem comprometer a saúde da mãe e do bebê. A diabetes gestacional, por exemplo, aumenta o risco de parto prematuro, enquanto a infecção urinária pode evoluir para quadros mais graves se não for tratada.
Cristiani destaca que não basta comparecer às consultas. “A gestante precisa realizar os exames solicitados e retornar para avaliação dos resultados. Esse acompanhamento faz toda a diferença para uma gravidez mais segura”, ressalta.
Além dos impactos na saúde materna e neonatal, a chegada tardia dessas pacientes contribui para a sobrecarga dos serviços especializados, exigindo internações mais longas e procedimentos de maior complexidade.
Diante do cenário, o HMML orienta as mulheres a procurarem uma unidade de saúde assim que descobrirem a gravidez. O início precoce e a continuidade do pré-natal são fundamentais para reduzir riscos e garantir uma gestação mais saudável.
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