Açaí se destaca como motor econômico e atrai investidores no setor produtivo
Em entrevista, o produtor e especialista Cid Ornela detalhou a expansão do cultivo em terra firme, a demanda mundial e o impacto da safra nos preços locais

A safra do açaí, fruta simbólica da região amazônica, vem movimentando a economia do país e se consolidando como um dos temas mais estratégicos no agronegócio. Em entrevista ao programa ‘LuizMeloEntrevista’ (Diário FM 90,9), o especialista e produtor Cid Ornela explicou as especificidades do cultivo do fruto, desmistificou preconceitos sobre o consumo e reforçou seu alto impacto econômico nos mercados nacional e internacional.
Pioneiro no desenvolvimento do açaí em terra firme irrigada em Capitão Poço (PA), Ornela destacou que a demanda global pelo alimento cresce de forma acelerada, superando a capacidade atual de produção. De acordo com dados apresentados por ele durante uma palestra no evento ‘Amapá Agro Summit’, estima-se que entre 8% e 12% da população mundial já conheçam o fruto.
“Mesmo a gente plantando bastante, a demanda aumenta três vezes mais. Até 2030, mesmo na escalada do que o pessoal está plantando e investindo, vai ter um déficit de 25% a 30% de demanda que a gente não vai conseguir atender”, alertou o especialista.
Manejo, inovação e a força da terra firme
Durante a conversa, o convidado também desmistificou a ideia de que o açaí de várzea é superior ao de terra firme ou que a produção em pó perca mercado. Ele explicou que o açaí nativo de várzea possui limitações físicas de expansão, tornando a tecnologia em terra firme a principal alternativa para o setor.
“O açaí nativo da várzea está lá, você não consegue aumentar a produtividade dele. A Embrapa fez um trabalho maravilhoso de criar uma técnica de desbaste para passar de três para seis toneladas, mas já tem muitos entraves ambientais. Na terra firme irrigada, a gente já colhe de oito a 12 toneladas e pode chegar até 20 toneladas por hectare”, explicou.
Preço local e mercado internacional
Em relação às recentes oscilações no valor pago pelo consumidor amapaense, Cid tranquilizou a população, esclarecendo que a alta não decorre das exportações ou de crises, mas sim do ciclo natural de entressafra (período de janeiro a junho). Com o início do pico da safra nativa a partir deste mês, a tendência é a queda e regularização dos preços nas feiras locais, podendo chegar a R$ 8 ou R$ 10 o litro.
O especialista ainda fez uma reflexão direcionada aos investidores sobre o potencial de retorno do fruto no mercado global: “Não há nenhuma cultura no bioma amazônico que dê mais lucratividade do que um hectare de açaí. Quem entrar agora está entrando no momento exato, pois hoje já existe a receita de bolo pronta sobre nutrição, irrigação e mercado garantido”.
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