Ampliação do calado na Barra Norte fortalece Amapá como polo logístico da Amazônia, diz engenheiro
Glauco destaca impacto da medida para portos, agronegócio, indústria petrolífera e comércio internacional;

Douglas Lima
Editor
A conclusão dos estudos da Marinha do Brasil que ampliou o calado operacional no chamado Arco Lamoso, na foz do rio Amazonas, pode transformar o Amapá em um dos principais polos logísticos da Amazônia e do país. A avaliação foi feita pelo engenheiro Glauco Cei, presidente da Sociedade Amigos da Marinha (Soamar) e do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amapá (Sinduscon-AP), em entrevista nesta terça-feira, 19, ao programa LuizMeloEntrevista (Diário FM 90.9).
Segundo Glauco Cei, a ampliação do calado operacional permite a navegação de embarcações maiores na Barra Norte do Rio Amazonas, trecho considerado estratégico para o transporte marítimo nacional e internacional. “O impacto não é só para o Amapá. Isso beneficia Maranhão, Santarém, Trombetas, Juruti, Manaus, Itacoatiara e todos os portos do braço norte do Amazonas. Para nós, é uma notícia excelente, principalmente pela condição estratégica do Amapá”, afirmou.
O engenheiro explicou que o calado corresponde à parte submersa do casco da embarcação. Quanto maior o calado permitido, maior a capacidade de operação dos navios. Destacou, ainda, que o Porto de Santana possui uma das maiores profundidades naturais da região amazônica, fator que coloca o estado em posição privilegiada para receber grandes embarcações. “Em frente à área da CDCA, o calado chega a 36 metros. Qualquer tipo de navio consegue atracar ali. O problema sempre foi a passagem pela Barra Norte”, explicou.
Os estudos realizados pela Marinha envolvem tecnologia avançada, sondagens complexas e atualização permanente das cartas náuticas, fundamentais para garantir segurança à navegação. Cei alerta que “se houver erro em uma carta náutica na Amazônia, isso compromete a credibilidade de todas as cartas marítimas do Brasil. A Marinha atua com muito cuidado e responsabilidade”, pontuou.
Ele também afirmou que o aumento do calado fortalece a competitividade do Amapá no setor portuário e reduz custos logísticos, especialmente para cargas destinadas à Amazônia e ao Centro-Oeste brasileiro. Segundo ele, é muito mais barato atracar um navio em Santana ou em Macapá do que o fazer subir centenas de quilômetros pelo rio Amazonas.
O engenheiro também citou impactos positivos para o comércio com a Guiana Francesa, que enfrenta limitações portuárias para receber grandes navios. “Um contêiner vindo da França continental para a Guiana pode levar de quatro a cinco meses para chegar. Com maior capacidade portuária no Amapá, isso pode mudar completamente”, disse.
Glauco Cei ainda relacionou o avanço logístico ao potencial da exploração de petróleo na costa amapaense e ao crescimento da cabotagem na região Norte.
“Temos cerca de dois mil navios fundeados por ano em frente ao Amapá, mas apenas cerca de 60 atracam hoje. Precisamos liberar áreas portuárias e criar estrutura para receber navios Panamax. A economia fará o restante”, defendeu.
Ao encerrar a entrevista, o engenheiro afirmou que o setor portuário pode representar um salto econômico histórico para o estado: “Isso vai transformar o Amapá. O petróleo vai somar, mas a logística portuária pode mudar ainda mais a economia do estado”, concluiu.
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