Cidades

“Amprev em 5 anos recuperará investimento de R$ 400 milhões que fez no Banco Master”, garante Jocildo Lemos

Ex-presidente garantiu que deixou previdência estadual com aporte de R$ 10 bilhões, em condições de até 2059 garantir pagamentos dos aposentados e pensionistas civis e militares, além dos celetistas da autarquia



Douglas Lima

Editor

 

Em cinco anos a Amapá Previdência (Amprev) terá conseguido recuperar o investimento de R$ 400 milhões que em julho de 2024 fez no Banco Master com aplicação em letra financeira. A declaração foi dada na manhã desta terça-feira, 10, por Jocildo Lemos, que presidia a autarquia na ocasião da transação financeira, mas que renunciou ao cargo em 11 de fevereiro passado em meio ao início das investigações da Polícia Federal sobre o caso.

 

“A nossa saída se deu por um motivo muito tranquilo: o desejo de primeiro demonstrar para as autoridades policiais todo o nosso compromisso com aquilo que é a denúncia sobre o evento do Banco Master, e segundo, para que a gente possa ficar mais à vontade, num outro plano, para também trabalhar aquilo que vai ser no momento próprio a nossa linha de orientação e explicação”, disse o ex-presidente, justificando a renúncia da direção da previdência estadual.

 

Jocildo reforçou que a Amprev pode resgatar os R$ 400 milhões que investiu no Master, porque tão logo eclodiu a informação da falência do banco, pelo Bacen, foram feitas ações para resgatar a aplicação. A primeira ação, informou, foi reter os recursos do empréstimo consignado que os servidores aposentados e pensionistas têm com a Amprev na instituição financeira. O recurso importa mais ou menos R$ 600 mil por mês. Isso foi feito em novembro.

 

 

“Depois, junto com a Procuradoria-Geral do Estado, fizemos ações, e a PGE teve
êxito na Justiça. Então, a autoridade judicial autorizou a própria Amprev e o governo do
estado a fazerem retenções de todos aqueles produtos que o Banco Master ou o seu liquidante teriam direito a partir daquilo que foi a contratação para os servidores. Isso soma o valor mensal de R$ 7,5 milhões, somados nos meses que têm os consignados, todos entre 96 e 120 meses. A ideia e a vontade é de que até a metade disso, por 60 meses, a gente já possa ter o estado do Amapá e a Amprev recuperado o valor da aplicação, e a partir daí poder até fazer outros investimentos”, disse o otimista Jocildo Lemos.

 

O ex-presidente da Amapá Previdência fez questão de comentar que o seu trabalho na autarquia proporcionou a oportunidade de conhecer o sistema previdenciário do estado do Amapá, e que isso aconteceu porque houve dedicação, mas que avalia a presidência e a gestão, não como um ato unilateral feito por ele, mas como um reconhecimento muito justo, de gratidão a todos os servidores da autarquia que o ajudaram na tarefa.

 

Jocildo também agradeceu ao Conselho Estadual de Previdência, ao Comitê de Investimento e ao Conselho Fiscal da Amprev que, segundo disse, deram-lhe as condições, num primeiro momento, de ajudá-lo a fazer a gestão na retomada de alguns processos e depois no monitoramento e acompanhamento desses mesmos processos. Ele explicou, que a Amprev tem uma diretoria executiva, mas tem ainda os colegiados, que são acima da diretoria, que ajudam na execução do que deve ser feito, principalmente na carteira de investimento.

 

“Então, com muita tranquilidade eu posso dizer que a nossa gestão teve o princípio de que ninguém faz nada sozinho, e por isso nós conseguimos rentabilizar e capitalizar mais de três bilhões de reais”, disse, para chegar à informação de que a aplicação de recursos da previdência no Master foi fruto de decisão coletiva do Comitê de Investimento, que é um órgão colegiado eleito entre membros do Conselho Estadual de Previdência.

 

Jocildo Lemos informou que por ocasião do investimento no então Banco Master o Comitê de Investimento da Amapá Previdência era formado por ele, na condição de presidente; um servidor da própria Amprev; o procurador-geral do Ministério Público do Estado do Amapá, Alexandre Monteiro; secretário de finanças do Tribunal de Justiça do Amapá, Glaucio Bezerra; e o presidente e membro representante dos servidores estaduais, do grupo de gestão dos servidores efetivos, Jacson Rubens.

 

O ex-presidente revelou que o Comitê de Investimento deliberou fazer aplicação não apenas no Banco Master. Então foi feito o credenciamento, análise da área técnica da Amprev e a apresentação das propostas à instituição hoje falida e também aos bancos Safra, BTG e Santander, durante reunião do dia 12 de julho de 2024.

 

 

“Nessa data aprovamos quinhentos milhões de reais para aplicações de letra financeira e a aprovação se deu por unanimidade, 5 a 0. Depois, na segunda votação, votamos cem milhões para o Banco Master. Foi uma votação de 3 a 2, mas que condicionada a uma visita da Amprev à instituição, para que pudesse verificar a capacidade dela de receber esse recurso. Foi feita a visita, apresentado o relatório e aprovado”, descreveu o ex-presidente.

 

Jocildo Lemos informou que depois ainda foi feita uma terceira reunião, ainda por conta dos recursos existentes para fazer os investimentos, uma vez que tinha sido aprovada a estratégia de letra financeira na ordem de oitocentos milhões de reais. Aí foram aplicados mais R$ 100 milhões. Significa dizer que aqueles dois conselheiros que na segunda votação votaram contrariamente, satisfizeram-se pela diligência de outra proposta apresentada e, de novo, votamos à unanimidade a proposta de cem milhões para o Banco Master.

 

Por fim, o ex-presidente mostrou que se o Banco Master não tivesse falido, no contrato de dez anos a Amapá Previdência teria garantida a rentabilidade de 630 milhões de reais, que seriam os quatrocentos milhões do investimento mais 55% de rentabilidade. Ele garantiu que deixou a Amprev com aporte de R$ 10 bilhões, em condições de até 2059 pagar os aposentados e pensionistas civis e militares, além dos celetistas da autarquia.

 

 


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