Cidades

Celebração inédita em cemitério dá adeus coletivo aos mortos pela Covid-19 no Amapá

Cerimônia ecumênica reuniu lideres religiosos de várias denominações. Foi uma forma de garantir às famílias das vítimas uma oportunidade de dar um último adeus aos entes queridos.

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Fotos: Max Renê

Cleber Barbosa
Da Redação

 

Um evento, que se propôs ser histórico, rendeu na manhã deste sábado (04), no cemitério São Francisco de Assis, às margens da BR-210, Região Metropolitana de Macapá, as ultimas homenagens às vítimas da Covid-19 no estado. Em pleno cemitério, também conhecido como ‘solo santo’, autoridades estiveram reunidas com líderes das mais diversas religiões para, de forma ecumênica, reverenciar a memória daqueles que perderam a luta para a pandemia planetária que já tirou a vida de centenas de pessoas no Amapá.

O último boletim divulgado na sexta-feira (03) pelo Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL/AP) e Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) relatava oficialmente a morte de 438 pessoas, sendo que 269 desses óbitos ocorreram na capital.

O evento religioso deste sábado foi coordenado pela Prefeitura de Macapá, a partir de um projeto inter-religioso proposto pelo padre Paulo Roberto Matias, que preside o Instituto do Câncer Joel Magalhães (IJOMA). Pastores, espíritas, praticantes do candomblé, bem como outros sacerdotes de diversas denominações religiosas estiveram reunidos para, conforme cada tradição e respectivos dogmas, fazer a homenagens aos entes queridos.


Falando em sua pregação final, o coordenador Paulo Matias se disse extremamente orgulhoso com o feito e a mobilização, pois, acredita que é exatamente essa integração e unidade que pode fortalecer a humanidade para os desafios que se apresentam, especialmente, as tragédias como a atual pandemia.

“É uma dor muito forte a separação de um ente querido, mas potencializada ainda mais pelo fato de seus familiares não terem podido fazer um funeral, uma despedida. É um ‘adeus não dado’, daí a importância desse momento de reverenciarmos a todos eles, com suas melhores recordações, feitos e realizações”, disse o religioso.


O prefeito de Macapá, Clécio Luís, também avalia como extremamente reconfortante a celebração, que ganhou transmissão ao vivo na Internet, já que o público não poderia comparecer ao cemitério, que estava com acesso controlado. “Não foram apenas números, foram pais e mães de família, foram pessoas muito queridas de nossa sociedade, que foram homenageadas nesse ato solidário, amenizando a dor coletiva, uma tragédia humana que certamente marcará a vida de todos nós para sempre”, concluiu.

Foram vários detalhes marcantes na cerimônia, dentre eles, as bênçãos feitas por cada liderança religiosa e a soltura de cerca de 300 balões brancos em homenagem a todos os falecidos. Outro detalhe marcante foram as imagens aéreas do cemitério e do local do dispositivo, com transmissão simultânea pelo Sistema Diário de Comunicação, em que um drone sobrevoou os túmulos das vítimas de Covid, uma imagem raríssima, pois até mesmo os familiares dessas pessoas não tiveram à época de seus funerais, a oportunidade do último adeus, pois o acesso é restrito em dias de sepultamento.


O tempo, portanto, haverá de dar a este dia e este cerimonial, o devido valor e representatividade que ora todos já julgam como de grande valor.

 
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