Cidades

Cerimônia inter-religiosa da saudade vai homenagear vítimas da Covid-19 no Amapá

A celebração ecumênica não será aberta ao público. Mas, a homenagem tem apoio da Prefeitura de Macapá e do Sistema Diário de Comunicação, que estarão fazendo a cobertura através das redes sociais e da rádio 90,9 FM, a partir das 8h deste sábado (4).

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Railana Pantoja
Da Redação

 

Neste sábado (04) uma celebração inter-religiosa da saudade vai homenagear as vítimas da Covid-19 no Amapá. De acordo com o último boletim divulgado pelo Governo, o estado registrava 427 óbitos em decorrência do novo coronavírus até esta quinta-feira (2).
De acordo com o Padre Paulo Roberto, um dos organizadores, essa foi a forma encontrada pelos religiosos para homenagear todos aqueles que partiram repentinamente e sem a família ter direito a uma despedida digna.

“Vamos falar de amor, de vida, de dor, de adeus que não foram dados. São mortes aonde o ciclo não foi encerrado, e é disso que nós vamos falar sábado, direto do cemitério São Francisco de Assis, começando às 8h. Será algo inédito. De todo o planeta, Macapá será a primeira capital do mundo a fazer um rito fúnebre. 60 mil anos a.C. o homem já tinha o hábito de celebrar a morte de seus entes queridos, então, o funeral não é só uma invenção ou forma de enterrar o corpo e contaminar o meio ambiente. O ato de enterrar um corpo é uma forma de você encerrar um ciclo da vida”, explicou padre Paulo.

A celebração não será aberta ao público. Mas, a homenagem tem apoio da Prefeitura de Macapá e do Sistema Diário de Comunicação, que estarão fazendo a cobertura através das redes sociais e da rádio 90,9 FM. Devem conduzir a cerimônia o padre Paulo Roberto, o espírita doutor Felipe Menezes, Pai Marcos (candomblé), Pai Salvino (umbanda) e o pastor Kelson.

“Considerando que após o corpo ser enterrado ele não oferece mais risco de contaminar ninguém, e são mais de 300 vítimas sepultadas, vamos montar a estrutura para fazer a celebração no início da área onde estão os primeiros sepultamentos, e vai ficar distante dos mais recentes”, garantiu.

Inicialmente seria apenas uma missa católica, mas considerando que as mais de 400 vítimas seguiam diversas religiões e doutrinas, foi optado por ser feita uma celebração ecumênica.

“A celebração ecumênica é quando os grupos que participam têm a mesma doutrina, acreditam em Jesus Cristo, na Santíssima Trindade, na ressurreição dos mortos, enfim, fazem parte da corrente do Cristianismo. A celebração inter-religiosa é um encontro de pessoas que têm doutrina diferente, tipo Budismo, Judaísmo, Islamismo, Maçonaria, então teremos vários religiosos. Vamos fazer uma celebração que toque o coração das famílias, uma homenagem magnífica às vítimas”, finalizou Padre Paulo.

A celebração ocorre no dia 4 julho, três meses após a primeira morte em decorrência da Covid-19 ser confirmada no Amapá. A vítima foi um homem de 60 anos. Desde então, diariamente várias famílias amapaenses lidam com o luto e um misto de sentimentos, batendo mais forte a dor da saudade e do adeus que não foi dado.

 
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