Cidades

Comunicação acessível fortalece cuidado e autonomia de pacientes surdos no Amapá

CilSaúde disponibiliza intérpretes para atendimentos na rede estadual e promove capacitações para ampliar a comunicação entre usuários surdos e profissionais de saúde


Fotos: Rodrigo Abreu/Sesa

 

Garantir que o paciente consiga explicar o que sente, compreender o diagnóstico, tirar dúvidas e seguir corretamente as orientações médicas também faz parte do cuidado em saúde.

 

No Amapá, a Central de Tradutores e Intérpretes de Libras da Secretaria de Estado da Saúde (Cilsaúde) atua para assegurar que pessoas surdas tenham acesso à comunicação durante consultas, exames, procedimentos e atendimentos de urgência e emergência na rede pública.

 

Atualmente, a CilSaúde conta com quatro intérpretes que podem ser acionados pelas unidades estaduais sempre que houver necessidade. O atendimento pode ocorrer presencialmente ou por videochamada.

 

Wesley Ribeiro, coordenador da CilSáude – Foto: Rodrigo Abreu/Sesa

 

“A gente está à disposição para acompanhar o surdo e fazer essa intervenção entre o profissional de saúde e o paciente surdo”, explica o coordenador da CilSaúde, Wesley Ribeiro.

 

A solicitação pode ser feita pela direção da unidade ou pelo próprio usuário, por mensagem ou ligação à Central pelo número (96) 99124-6517. A Central funciona de segunda a sexta, das 8h às 18h na Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

 

A presença do intérprete é especialmente importante nos momentos em que o profissional precisa transmitir informações sobre diagnóstico, medicamentos, exames, procedimentos e cuidados após o atendimento.

 

 

“Essa é a parte mais importante do atendimento em si, de a gente conseguir passar essas informações para aquele paciente e ele entender como funciona, saber o horário de tomar o remédio ou quando vai voltar para fazer novamente um exame”, destaca Wesley.

 

Além da interpretação, a Secretaria promove capacitações básicas em Libras para profissionais que atuam em unidades com maior demanda de atendimento à população surda. Os cursos são realizados periodicamente e já alcançaram profissionais como enfermeiros, fisioterapeutas e odontólogos. A proposta é que esses trabalhadores consigam estabelecer uma comunicação inicial com o paciente, sem substituir a atuação do intérprete.

 

Entre agosto de 2025 e setembro de 2026, a CilSaúde contabilizou mais de 420 atendimentos, incluindo consultas, cirurgias, partos, exames, procedimentos e demandas das redes pública e privada. No mesmo período, foram registradas 25 situações de urgência e emergência. Para Wesley, os números mostram a importância do serviço e também apontam para a necessidade de ampliar a equipe. “A comunidade surda tem mais acessibilidade na saúde”, afirma.

 

A CilSaúde também orienta que o usuário surdo acione a Central sempre que precisar de suporte de Libras em um atendimento de saúde. Para o coordenador, conhecer e utilizar o serviço é parte importante desse processo de inclusão.

 

“Caso você precise de cirurgia, atendimento, consulta ou exame que necessite do intérprete, pode acionar que a gente está à disposição para todo o estado.”

 


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