Cidades

Conselho dos Povos Indígenas suspende atividades da Unifap no campus de Oiapoque

Também está proibida a entrada de professores e pesquisadores da Unifap nas terras indígenas; e os projetos de pesquisa e extensão em andamento e já autorizados também estão suspensos e serão revistos e reavaliados pelo conselho.

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O Conselho de Caciques dos Povos Indígenas de Oiapoque, presidido pelo cacique Gilberto Iaparrá, comunicou que estão suspensas por tempo indeterminado todas as reuniões, pesquisas e projetos de extensão realizados por professores e pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap) nas Terras Indígenas Uaçá, Galibi e Juminã.

Também está proibida a entrada de professores e pesquisadores da Unifap nas terras indígenas; e os projetos de pesquisa e extensão em andamento e já autorizados também estão suspensos e serão revistos e reavaliados pelo conselho.

A decisão foi comunicada do diretor do Campus Binacional do Oiapoque, Otávio Landim, e à reitora da Unifap, Eliane Superti.

O documento indica que as lideranças indígenas se sentem discriminadas por parte dos conselheiros e de professores da universidade.

De acordo com o comunicado, a reunião ocorrida no dia 8 de maio de 2018 no Campus Binacional do Oiapoque, entre Direção do Campus, Conselho do Campus, professores, acadêmicos, lideranças indígenas e quilombolas, serviu para, mais uma vez, para constatar o preconceito e a discriminação destinados aos povos indígenas e tradicionais.

“A insensibilidade, a ausência de apoio, o distanciamento evidente e os ataques que sofremos durante essa reunião por parte dos conselheiros e dos professores do Campus Binacional, serviram para desvelar a falta de  respeito  destes com os povos indígenas e a resistência que estes têm quanto a entrada de indígenas e quilombolas na universidade. Além disso, a posição adotada pelos professores nos mostrou que, para eles, continuamos a ser “objetos” de pesquisa, mas não somos“adequados” e nem teríamos “capacid ade” para ingressar nos cursos destinados aos não-indígenas”, diz trecho do documento encaminhado a Landim e Superti.

Para o conselho indígena, o lamentável episódio ocorrido e o posicionamento da Universidade Federal do Amapá no sentido de se ater a subterfúgios para que o Processo Seletivo Extraordinário para o Ingresso de Indígenas e Quilombolas (PSEIQ) não seja executado em tempo hábil, impossibilitando o ingresso dos indígenas e quilombolas nos cursos do Campus Binacional do Oiapoque no segundo semestre de 2018 os levaram a tomar tal decisão.

As lideranças indígenas Karipuna, Galibi-Marworno, Galibi-Kalinã e Palikur, representadas pelo Conselho dos Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque esclarecem que o acesso e permanênciados povos indígenas à Universidade Federal do Amapá é tema de discussões com a instituição e também entre os povos indígenas, há vários anos. Essas discussões originaram o curso de Licenciatura Intercultural Indígena (CLII) e, já no processo de criação desse curso, em 2007, se discutia que era necessário garantir o ingresso nos demais cursos da Unifap , uma vez que a demanda não é somente pela formação de professores.

 
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