Costa do Amapá enfrenta desafios entre preservação ambiental e avanço econômico
Região reúne rica biodiversidade, mas sofre pressões da pecuária, mineração e projetos de petróleo

Evandro Luiz
Da Redação
Localizado ao norte da foz do rio Amazonas, o Amapá abriga uma das mais extensas e ricas paisagens aquáticas do Brasil. Com predominância de florestas preservadas e áreas de savana na região oriental, o estado também se destaca pelos altos índices de chuva e pela presença de rios importantes, como o Araguari e o Oiapoque, esse último na fronteira com a Guiana Francesa.
Apesar da riqueza natural, a região enfrenta desafios crescentes relacionados ao uso dos seus recursos. Um dos exemplos é o rio Araguari, que foi o primeiro de grande porte na Amazônia a ser represado. A Hidrelétrica Coaracy Nunes, construída em 1972, ainda levanta questionamentos quanto aos impactos ambientais, que seguem sem estudos aprofundados. Pescadores locais afirmam que a atividade não foi significativamente afetada, e espécies migratórias continuam presentes no rio.
A exploração mineral também deixou marcas no estado. Serra do Navio teve intensa atividade de extração de manganês nos anos 1980, retomada na década seguinte. Já a mineração de ouro, que movimentou a economia regional por anos, entrou em declínio a partir da metade da década de 1990. Atualmente, o avanço da pecuária e o aumento do desmatamento nas áreas próximas ao rio Araguari preocupam especialistas.
Outro ponto de destaque é a região dos Lagos Piratuba, conhecida por sua grande área de pântanos de águas rasas e pela rica biodiversidade. Parte do território é protegida por unidade de conservação, abrigando diversas espécies de aves, como garças e socós. A região também é importante para a pesca do tucunaré, que abastece o mercado de Macapá.
Mesmo com potencial turístico semelhante ao do Pantanal, o ecoturismo ainda é pouco explorado no Lago Piratuba. Enquanto isso, a criação de gado nas áreas próximas avança e já é considerada uma das principais ameaças ao equilíbrio ambiental da região.
Nos últimos anos, o Amapá também passou a atrair investimentos em reflorestamento. Áreas de savana vêm sendo substituídas por plantações de eucalipto e pinus, o que tem causado a perda de ecossistemas naturais importantes, como as áreas de buritizais, essenciais para a manutenção das nascentes e da biodiversidade.
Além dessas transformações, cresce a preocupação com a exploração de petróleo na região da Foz do Amazonas. A Petrobras pretende atuar no bloco 59, localizado próximo à costa do Amapá. O projeto, no entanto, enfrenta críticas devido à falta de informação para as comunidades locais.
Dados apontam que apenas 4% da população potencialmente afetada participou de audiências públicas, enquanto cerca de 28% não souberam opinar sobre o tema. Entre os povos indígenas do município de Oiapoque, o direito à Consulta Livre, Prévia e Informada, garantido por legislação internacional, ainda não foi plenamente respeitado.
Moradores da região já relatam mudanças no cotidiano, como aumento do custo de vida e maior pressão sobre áreas protegidas e terras indígenas. Diante desse cenário, o Amapá vive um momento decisivo. O desafio será encontrar caminhos que permitam o desenvolvimento econômico sem comprometer um dos patrimônios naturais mais importantes da Amazônia.
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