Crescimento do interesse pela Margem Equatorial é destaque no Amazon Energy 2026
Participante do evento, o representante do Amapá defendeu a promoção de investimentos, apoiar negócios e impulsionar crescimento econômico sustentável através de cooperação entre os governos

Enquanto o mundo acelera investimentos em energias renováveis, a demanda por petróleo continua em crescimento. A afirmação está entre as conclusões do Amazon Energy 2026, realizado em Belém pela Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), por meio da Fiepa Redes. Em 2025, o consumo global atingiu 103,8 milhões de barris por dia, um dos maiores já registrados, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). E estudos reforçam que o petróleo continuará exercendo papel estratégico por décadas.
Projeções do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) mostram que a produção mundial de petróleo deverá permanecer entre 60 e 100 milhões de barris por dia em 2050. Mesmo no cenário de neutralidade de carbono (Net Zero), a indústria continuará produzindo cerca de 20 milhões de barris diários, evidenciando que a substituição completa dos combustíveis fósseis não ocorrerá no curto prazo.
O Brasil é o 8ª entre os maiores produtores de petróleo bruto e condensado do mundo e o 8º maior consumidor global de derivados (ANP). Ao mesmo tempo, tem uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta, sendo o segundo maior gerador mundial de energia hidrelétrica e um dos líderes globais em biocombustíveis.
É nesse contexto que cresce o interesse pela Margem Equatorial. A região tem potencial para adicionar 1,106 milhão de barris de petróleo por dia à produção nacional a partir de 2029. As primeiras perfurações ocorreram na década de 1970, concentradas em águas rasas, mas estudos indicam elevado potencial em áreas de águas profundas.
“Já existem planos concretos para a perfuração de 15 poços e a região tem potencial para formar um grande cluster de petróleo e gás no Norte do país, criando oportunidades para fornecedores, indústria, logística e geração de empregos. Quem é contra a exploração da Margem Equatorial, além de não conseguir salvar o planeta, estará sentenciando a nossa população à pobreza”, destacou o presidente da Fiepa.
Durante o Amazon Energy 2026, a diretora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Symone Araújo, destacou que o 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC), em 2025, foi o mais bem-sucedido desde a criação desse modelo, em 2019. Foram arrecadados R$ 989 milhões em bônus de assinatura, valor pago pelas empresas para garantir o direito de explorar os blocos e assumir os compromissos previstos nos contratos.
Segundo Symone, aproximadamente dois terços de toda a arrecadação tiveram origem nos blocos localizados na Margem Equatorial, especialmente na Bacia da Foz do Amazonas, que registrou o maior ágio do leilão e concentrou o maior interesse da indústria. Mas, neste ano, a Foz do Amazonas não fará parte do ciclo de ofertas da ANP porque, de acordo com a diretora, não houve liberação pelo IBAMA.
“Nós temos blocos da Margem Equatorial nesta rodada. Um conjunto de 36 blocos na Bacia Potiguar, a maioria deles onshore, ou seja, em terra, além de alguns blocos na Bacia do Ceará. Mas, de fato, o grande objeto de interesse são as bacias da Foz do Amazonas e Pará/ Maranhão. Vamos trabalhar intensamente para que integrem os leilões de 2027”, afirmou a diretora.
“Estamos diante da oportunidade de estruturar uma nova cadeia industrial na Amazônia. A Margem Equatorial pode representar para o Norte um novo ciclo de desenvolvimento econômico, sempre com responsabilidade ambiental, segurança jurídica e previsibilidade regulatória”, afirmou Alex Carvalho. Avaliação reforçada no painel que reuniu representantes do Pará, Maranhão e Amapá. De acordo com o presidente da Agência Amapá, Wandenberg Pitaluga Filho, agora é fundamental “promover investimentos, apoiar negócios e impulsionar crescimento econômico sustentável através e um modelo de cooperação entre governos”. Na Carta de Belém, documento elaborado ao final do Amazon Energy 2026, o apelo é por urgência nos processos de licenciamento ambiental, considerado essencial para garantir investimentos e fortalecer a competitividade.
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