Economista alerta que sete em cada dez amapaenses estão endividados, segundo pesquisa
Para Beatriz Cardoso, falta de planejamento financeiro e facilidade de acesso ao crédito e aos bancos digitais contribuem para cenário; balanço de março indica que 98 mil famílias no Amapá estão no vermelho

Douglas Lima
Editor
O percentual de endividados no Brasil atingiu a marca de 80,4% em março, o maior índice registrado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No Amapá, o índice de famílias endividadas é de 71,7%, o que corresponde a aproximadamente 98 mil famílias.
Para Beatriz Cardoso, gerente executiva do Instituto Fecomércio, os principais motivos para o endividamento são a falta de planejamento financeiro, a facilidade de acesso ao crédito, mesmo para negativados, e a popularização dos bancos digitais. “É preocupante. É como se a população inteira de Santana estivesse endividada”, exemplificou a economista em entrevista ao programa Togas e Becas (Diário FM 90,9) deste sábado, 18.
Para a gerente, o empréstimo consignado para trabalhadores do regime CLT, que utiliza o FGTS como garantia junto ao governo federal, também contribui para essa realidade. Ela alerta que o uso excessivo do empréstimo pessoal tende a agravar o cenário. “No Amapá, 17% das pessoas estão endividadas por conta desse tipo de crédito”, pontuou.
Beatriz ressaltou que o endividamento compromete a capacidade de consumo e o poder de compra. Muitas pessoas acabam utilizando o crédito como complemento de renda, direcionando recursos para itens básicos, como alimentação e locomoção, o que não é recomendado.
“Isso é uma armadilha. A dica é procurar recuperar o crédito por meio de negociação direta com o credor. Há instituições que oferecem até 90% de isenção nos juros. Busque canais oficiais, como o Serasa, que facilita o abatimento. Outras opções são a portabilidade da dívida para outras instituições e o aumento dos prazos”, aconselhou.
Por fim, Beatriz Cardoso mencionou que, no fim do ano, é comum que empresários locais facilitem a quitação de débitos com descontos e parcelamentos. Em âmbito nacional, ela citou órgãos como o Procon e o SPC/Serasa, que também promovem mutirões de renegociação adequados ao orçamento das famílias.
Deixe seu comentário
Publicidade

