Cidades

Enfrentamento à violência contra as mulheres dominou os debates no último dia do Elas II

A iniciativa pioneira, idealizada pela primeira-dama do Amapá, Priscilla Flores, nasce para celebrar, fortalecer e impulsionar o protagonismo feminino no estado


 

O debate sobre o enfrentamento à violência contra a mulher abriu, nesta quinta-feira, 25, a “Câmara-Ação”, que encerrou a programação da tarde do evento ELAS. O encontro reuniu representantes da Rede de Atendimento à Mulher (RAM), ativistas, empreendedoras e a sociedade civil para discutir políticas públicas de acolhimento e proteção.

 

 

Conduzido com determinação e profissionalismo pela mediadora e jornalista Narjara Costa, o evento ganhou sensibilidade e emoção. Demonstrando coragem e sem qualquer intimidação, a jornalista compartilhou sua história como sobrevivente da violência doméstica, reforçando a importância do acolhimento às vítimas e mostrando que o trauma não define o destino de uma mulher.

 

A cabo Josilene Carvalho, supervisora do Curso Atena da Polícia Militar, conduziu a apresentação sobre formas de prevenção. A capacitação é voltada exclusivamente às mulheres que atuam na segurança pública.

 

 

“É um momento de extrema importância para compartilharmos experiências. Como profissional da segurança pública na linha de frente, presencio muitas realidades. Hoje, liderar o Curso Atena, voltado exclusivamente para mulheres, tem um significado enorme. Nosso intuito é capacitar essas servidoras para que elas repliquem o conhecimento em suas unidades e, assim, consigam alcançar e proteger ainda mais mulheres”, explicou.

 

Outra participante do painel, Aldineia Miranda, mãe da cabo PM Emily Monteiro, vítima de feminicídio em 2018, protagonizou um dos momentos de maior comoção ao destacar o legado deixado pela filha, dedicado à Polícia Militar, à família e às causas de proteção às mulheres.

 

 

“Estou aqui não para falar do acontecido, mas sim sobre as formas de prevenção, acolhimento e a importância da denúncia. Essa é uma forma de ajudar outras mulheres e saber que, de alguma maneira, a minha filha continua ajudando, de onde quer que ela esteja”, concluiu.

 

O debate reforçou a necessidade contínua de fortalecer as redes de apoio e as políticas públicas de proteção ao público feminino, além da importância de ampliar a divulgação dos canais de denúncia, como o 190 e o 180.

 

 

A coordenadora do Abrigo Fátima Diniz, Suane Pinheiro, destacou que o local funciona há mais de 25 anos, em endereço sigiloso. O abrigo acolhe mulheres e seus filhos, além de contar com uma equipe multidisciplinar que realiza um trabalho de excelência.

 

“Quando recebi o convite para o ELAS, fiquei maravilhada. No início, pensei em recusar pelo medo da exposição, mas entendi que este momento representa o reconhecimento de um trabalho que não é só meu, mas de toda a equipe”, ressaltou.

 

Simone Palheta e Priscilla Flores

 

A participante e arquiteta Letícia Freitas, de 31 anos, destacou que a autonomia econômica e o empreendedorismo são ferramentas fundamentais no combate à violência doméstica.

 

“Para mim, o empreendedorismo é a salvação da mulher contra a violência. Ele vai muito além do aspecto financeiro: proporciona independência, resgata a confiança e reconstrói o psicológico que a violência destrói. Empreender prova que a mulher tem uma força mental gigante para romper esse ciclo e lembrar que ela é muito maior do que qualquer agressão”, afirmou.

 


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