Espaço AfroAmapá dá visibilidade à cultura e à ancestralidade dos povos de terreiro
Programação reuniu comunidades de matriz africana em uma noite de fé, cultura e resistência

A cultura e a ancestralidade dos povos de terreiro ganharam espaço e visibilidade na Expofeira 2026. Na segunda-feira (10), o Espaço AfroAmapá recebeu lideranças e comunidades de matriz africana para uma noite de doutrinas, danças e manifestações que fazem parte da identidade cultural brasileira.
A programação reuniu 18 grupos, terreiros e representações de matriz africana, que levaram ao público suas tradições e saberes ancestrais. A secretária de Estado da Cultura, Clicia Di Miceli, explica que a iniciativa representa o reconhecimento da diversidade que compõe a cultura amapaense.
“O Espaço AfroAmapá congrega toda a cultura do povo negro. Temos o marabaixo, a matriz africana, a capoeira e nossos artistas negros. Pelo terceiro ano consecutivo, os povos de terreiro ocupam este espaço para mostrar sua cultura, sua fé e sua história. É uma forma de dar visibilidade e valorizar aquilo que faz parte da identidade do nosso estado”.
Aos 70 anos, Mãe Fátima de Iemanjá, do Terreiro São Sebastião de Mina e Umbanda, em Santana, há 46 anos mantém as portas do terreiro abertas. Para ela, estar na Expofeira também é uma forma de combater o preconceito e a intolerância religiosa.
“Quando mostramos nossa cultura, ajudamos as pessoas a conhecer e respeitar aquilo que muitas vezes é alvo de preconceito por falta de informação. Estar aqui é importante porque podemos falar da nossa fé com liberdade e mostrar que os povos de terreiro fazem parte da história e da cultura do Amapá e do Brasil”.
Com 77 anos e 54 anos de vivência em terreiro, Elza Baía, do terreiro Nossa Senhora da Conceição, também do município de Santana, destaca a importância de ocupar espaços públicos:
“Nossa religião tem história, tem conhecimento e uma tradição que passa de geração para geração. Quando ocupamos esses espaços, também mostramos aos mais jovens que eles devem ter orgulho da sua ancestralidade”.
Mais do que uma programação cultural, a noite dos povos de terreiro no Espaço AfroAmapá representa visibilidade, respeito e reconhecimento de uma tradição que permanece viva e atravessa gerações.
Grupos e representações participantes:
- Unzo Inkissi Ganggavulá Junsara – Candomblé de Angola (Pai Jorge)
- Mãe Claudeci dos Santos Vaz
- Mãe Agnacelia Moura de Oliveira
- Mãe Ray
- Terreiro Unzó Lunda Kisimbé Junsara (Pai Salvino)
- Terreiro Ile Axé Oxum Yapara (Pai Regi)
- Matriz Africana Idaelcio do Rosario Cabral
- Terreiro de Mina Nagô Santa Bárbara (Mãe Socorro)
- Tolokirim (Pai Ângelo)
- Terreiro São Sebastião (Mãe Fátima)
- Casa do Tateto Omi Zangue No (Pai Cleison)
- Terreiro de São Sebastião José Tupinambá (Pai Ricardo)
- Nzo De Ase Nkossy Mavambo (Pai Odilon Rodrigues)
- Ile Ase Ode Igüi Lomi (Pai Jean da Tereza Légua)
- Terreiro Ile Ase Ode Nilejemin (Pai Rogério)
- Ile Axe Ogün Ida Orun Jha (Pai Reginaldo)
- Associação Cultural Estrela Guia (Mãe Sebastiana – Mazagão)
- Terreiro Odge Ode Olufonnin (Pai Marcos Ribeiro)
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